quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Foi...




A vírgul(há)!



Tantas coisas por aqui,
ainda mais por ali.
Acredite.
E queremos apenas o amor.
E apenas desejamos sorrir.
Ser feliz.

E o azul continua azul, azul-azul.
Você pode ver a cor em mim.
Pode ver também que sempre há um fim?
Não há amor.
Não há amor aqui em mim.
Não há amor.
Não há amor aqui em mim com você.

A verdade é que gostamos:
mentiras minhas, algumas suas.
E cada vez vamos mais a baixo:
descendo por essas ruas
de sofrimento, de loucura.
Não, há amor.
Não, há amor aqui em mim.
Não, há amor.
Não, há amor aqui em mim com você.


Veja você, veja a mim.
Veja tudo aquilo que quis
e não conseguiu.
Seu pequeno brinquedo de penetrar,
oh!, era tão frio.
Era a verdade de uma perfeita harmonia
de uma melodia de ilusão.
Sua melodia.

Oh! O amor...
Amor?
Sem haver e você quis.
Oh! O amor...
Não há amor.
Não, há amor.
Não há amor aqui em mim.
Não há amor.
Não, há amor aqui em mim.
Não, há amor.
Como vírgula: aqui, lá.
Em mim?

Garotos brincam de sentir.




Imagem:
Blue Lovers.
Criação: Marc Chagall.

domingo, 12 de julho de 2009

Alguém... Em...




Mariana



A diferença faz a normalidade
dessa confusa realidade
que tende a nos perseguir,
caçar-nos, por vezes coagir
só porque somos o que queremos ser,
ao menos alguns,
já outros o que os fazem ser. Ou seria ter?
Com você não seria diferente Mariana,
chega de chorar nessa dura cama,
afinal, dura mesma é sua condição.


Mariana. Menina meiga, de face intrigante
não queira imaginar como é sua mente
cheia de caixas lacradas,
infestada de regras pré-fabricadas
que todos podem ter, mas Mariana
possuí até demais... O que Mariana faz?


Mariana. Age como qualquer um.
Fala, corre, pula até...
Pouco sim, mas ela pode ser o que quiser.
Mariana, Mariana, não se sinta triste,
as coisas nem sempre são como queremos,
as pessoas nem sempre sabem o que falam.
Não queriam te ofender
talvez ajudar-te, sem saber
que ajuda maior são eles que necessitam
aqueles medievais de mente
e de atos que nunca vão mudar.
Quantos ainda sentem-se oprimidos? Quantos? Quantos?
Você viu? Ele caiu.
(Bonequinho de algodão)


Mariana por vezes é Maria,
por vezes é Ana.
Mas afinal, quem é você Mariana?
Com a família não dá mais,
com os amigos também não, não há....
A quem recorrer? Correr. Correr.
Entendo Mariana... Mas quem é você?
Você (?!)


Maria. Gentil, tão suave.
Cheia de feminilidade, cheia de graça.
Todos riem... Riem... De sua timidez,
O que fazer? Ela é assim,
parece uma boneca de porcelana
daquelas que nunca se tira da caixa.
Maria, alguns meninos gostam de você.
Beijar-te eles querem, tocar-te além do cetim.
Por que não?
Maria gosta de chá verde, meias laranja e uma boa piada.
Mas ninguém sabe.
- Como ela pode gostar de piadas? Ela não gosta de si.
Maria sai sempre cedo pra não ser vista... Ela é tão confusa.
Volta tarde pra não se sentir aflita.
Apenas sorria.


Mariana por vezes é Maria,
por vezes é Ana.
Mas afinal, quem é você Mariana?
Com a família não dá mais,
com os amigos também não, não há....
A quem recorrer? Correr. Correr.
Entendo Mariana... Mas quem é você?
Você (?!)


Ana. Impetuosa, em momentos rude.
Ela sabe o que quer, o como fazer,
Sabe que é com humanos bestializados
que por vezes tem que conviver.
É a vida Ana... Ana... Ana... Manda
como ninguém; com ela tudo flui
seja pelo seu punho ou por um “Já!” nada cordial.
Os meninos temem Ana, as meninas mais ainda
menos aquela que dizem ser tão estranha
tão, tão estranha quanto você.
Veja os olhares dela pra ti... Tão profundos,
parecendo querer algo que pra alguns seria muito obscuro,
mas que,sinceramente, não é. Apenas “é”.
Até parece aquele meu vizinho
que era um tanto direto... Nada correto... Mas foi tão bom.
12 e 26, boas idades não?
Ana, por que não se entregar?
Por que não?
Você viu? Ele caiu.
(Bonequinho de algodão)


Mariana por vezes é Maria,
por vezes é Ana.
Mas afinal, quem é você Mariana?
Com a Família não dá mais,
com os amigos também não, não há....
A quem recorrer? Correr. Correr.
Entendo Mariana... Mas quem é você?
Você (?!)


- Quando faz frio quero ser África,
quando pra fazer não há nada
quero ser uma ilusão.
Tento ser tanta coisa por eles... Eles.
Mas e depois o que farão?
Seria melhor sumir, deixando tudo pra trás
sem dar importância a ninguém mais.
Podendo correr de cachecol no Pantanal
com ela e fazer sexo O...
Bem, você sabe afinal.
Quando chove quero ser a escuridão


Mariana por vezes é Maria,
por vezes é Ana.
Mas afinal, quem é você Mariana?
Com a Família não dá mais,
com os amigos também não, não há....
A quem recorrer? Correr. Correr.
Entendo Mariana... Mas quem é você?
Você (?!)


Na verdade Mariana quer ser João.






Imagem: Mulher com duas caras.
Criação: Marc Chagall.

Pes(soa)s...




Instante a sonhar (Em uma madrugada)



Por vezes conhecemos pessoas
em forma de sonhos, essas as boas,
mas que não permanecem muito tempo Aqui.


Aparecem em pequenos momentos,
esses seres, seres efêmeros
que parecem fazer parte de meu destino.


Penso então sobre isto, vivo isto
e tantas, várias outras coisas
que dão maior vontade de viver.


E estamos a sonhar.
Em um belo instante a sonhar.
Sonhando com Você, com o Hoje.


E através de incertezas pode-se então ver
o sentimento humano não perecer,
porque eu sei, os sonhos sempre nos renovarão.


E quem vive está a sonhar,
o que não é mau, é apenas buscar
por vezes o melhor ou uma estrela qualquer.



Penso então sobre isto, vivo isto
e tantas, várias outras coisas
que dão maior vontade de Ser.


E estamos a sonhar.
Em um belo instante a sonhar.
Sonhando com Você, com o Hoje.


E estamos a sonhar.
Em um belo instante a sonhar.
Sonhando com Você, com o Hoje.


Você é um sonho... Estou a sonhar.


E estamos a sonhar.
Em um belo instante a sonhar.
Sonhando com Você, com o Hoje.


Você é um sonho... Estou a sonhar.


Eu estou a sonhar...







Imagem: O sonhador.
Criação: Giorgio Casarin.

(A)mar...





Amar



Sentando eu ainda tento entender
como meu amor,
esse meu louco sentimento,
possa fazer-me sentir
tanta satisfação, mas também tanta dor.
Por quê?

Fico a olhar as paredes brancas,
a escutar essa melodia triste,
tentando seu rosto ver,
ou quem sabe sua voz escutar.
Não consigo entender.

E tudo foi tão bom,
para mim ainda é bom.
Você não sai de minha mente, de meu coração.
Minhas lágrimas eu não consigo cessar,
eu não sei se vou suportar, conseguir...
Não sei... Deixar de te amar.




O verdadeiro amor não é pra sempre?
Os momentos com você
da memória não vou conseguir tirar,
apesar de me fazerem lembrar
que aconteceram e não vão retornar.


Ainda quero tentar.
Não sei por que, não sei explicar.
Queria poder morrer,
tenho tanto medo de me congelar.
Eu tenho tanto medo, tanto medo.


Minhas lágrimas vão secar,
mas meus desejos não.
E meu amor,
bem, esse pela eternidade ficará.






Imagem:
Criação: Marc Chagall.

Cortinas...




Pequenas coisas



Às vezes eu me encontro sentado e lembrando
da maneira como nos conhecemos.
Quando nos vimos pela primeira vez foi esquisito
você normal, eu com aquele sentimento de defesa intrínseco,
mas que logo amenizou
quando para caminhar e conversar convidou-me. O vento soprou.
(As cortinas balançam)
Pensei: “Ele merece atenção”. Dei atenção.
Não sei. Não imaginei que fosse em minha vida uma grande sensação.


Quando aos seus amigos apresentou-me
até engraçado foi, fui até caricaturado.
Era você, eles, eu
relacionando-se bem, mas que por vezes
esse seu jeito grosso, esse seu jeito torto, irritava-me.
Era tudo maravilhoso, quase não acreditava,
e como não poderia fugir à regra
tudo que é bom um dia acaba.
(As cortinas ainda balançam)
Sinceridade pra você faltou. Pra mim moderação.


Lembranças, lembranças...
De quando estávamos juntos
mesmo estando “distante”, mas estava em mim.
Lembranças, lembranças...
De tantos pensamentos mudos
que nem ao menos cogitou que eu pudesse ter.
(Como seria bom se parassem)


E todas as pequenas coisas que fizemos
como os carinhos que por vezes eram recíprocos,
as brigas e discussões, sérias, bobas
os meus e os seus péssimos equívocos,
todas essas pequenas coisas não perder-se-ão;
algumas magoam-me ainda, dói ter certa sensação.
Mas vai passar... Liberte-me.
Isto é o fim?
(Parecem ter tanta vida ao balançar)


Deitado agora e vendo as nuvens lá fora
recordo do que sentia quando tinha que ir embora,
que não entendia “como podia estar assim”
um completo bobo, louco, feliz. Enfim:
acreditava que era o meu amor.
Sei que meu foi apenas por um tempo
ainda era de outro, pensava em outro
(É. Pensa.)
e isso doeu muito, dói ter certa sensação.
Podemos ser amigos então?
(Não sei o que fazer com essas cortinas)


Lembranças, lembranças...
De quando estávamos juntos
mesmo estando “perto”, não estava em mim.
Lembranças, lembranças...
De tantos pensamentos mudos
que nem ao menos cogitou que eu pudesse ter.
(Como seria bom se parassem)


E todas as pequenas coisas que fizemos
como os carinhos que por vezes eram recíprocos,
as brigas e discussões, sérias, bobas
os meus e os seus péssimos equívocos,
todas essas pequenas coisas não perder-se-ão;
algumas magoam-me ainda, dói ter certa sensação.
Mas vai passar... Liberte-me.
Isto é o fim?
(Parecem ter tanta vida ao balançar)






Imagem:
Criação: Marc Chagall.

Sei...



Longe


Quando estou longe de você
estou longe de mim,
falta algo importante
pareço estar em uma solidão sem fim.
De repente dois mundos estão a colidir:
minha vontade de ter a ti
- agora, pra sempre -,
minha compreensão de te esperar
- nesse período em que está ausente –.


Por que me sinto assim?
(Triste, infeliz.)


Feliz estou com seu ser,
mesmo que seja em pensamento,
tempo de sofrimento
pra mim, pra você.
A distância impede de me tocar,
impede-me de amar.
Impede-me, impede-me, mata-me...


Por que me sinto assim?
(Tenho medo de te perder. Tanto medo de te perder.)


Quando estou longe de você
por vezes não sei o que sou,
por vezes encontro-me perdido
em meu caminho preferido,
mas cadê você, cadê uma das minhas razões de viver?
As pessoas caminham ao meu lado sem perceber
o quanto consigo fingir que tudo está bem,
que por mais inteiro que pareço ser
falta metade do meu mundo sem ti.
Meu cabelo não é o mesmo,
meus olhos não são os mesmos,
minha boca não é a mesma,
meus cortes não são os mesmos...
Saudade de você, meu incrível ser.


Por que me sinto assim?
(Poético louco.)


Sei...
Nada é pra sempre...
Pessimismo meu, drama meu.
Mas se fosse, escolheria o pra sempre com você.
Só com você.
Sei...
Temos que escolhas fazer.
E a minha você sabe,
sabe que meu amor é seu.


Longe? Por quê?
Tenho tanto pra te dar,
como meus versos nesse amanhecer
em que escrevo com tanta esperança
de logo voltar a viver.
Viver realmente...
Está sempre em minha mente,
aonde quer que você vá.


Por que me sinto assim?
(Longe... Perto... Em ti... Em mim.)






Imagem:
Criação: Marc Chagall.

Sim? Não?



Não sei?


Que vontade de te beijar,
que desejo de te tocar,
que vazio grande há em meu peito,
que pensamentos confusos estão a habitar
eu. Você?
Isso tem que acabar.
Isso tem que acabar.
Isso tem que acabar?
O quê?


E se você me beijasse agora,
se você me tocasse como antes,
se preenchesse esse vazio provocado,
- Por quem? Por quê? -
se esses pensamentos morressem
em mim. Em você?
Eu não sei o que fazer.
Eu não sei o que fazer.
Eu não sei o que fazer?
O quê?


Afinal, o que se tem?
Tantas perguntas, tantas dúvidas há.
Há? Diga-me você, porque eu pouco sei,
pouco sei do que escrevo, mas queria saber,
saber das certezas, alguma há de ter.
Não é? Não é?


Às vezes penso saber tudo,
e não querer ver, compreender.
Será?
Será que falta o que, pra ter esse vazio?
- Retorno outra vez –
Pareço sempre retornar
precisando de você.
O que é o precisar?
É estar? É ter? É amar?
Acho que amar... Como amo você, como amo você...
Como... Como?


Creio precisar de alguém,
preciso conversar.
Quero viver e amar.
Querer? Não sei.





Imagem:
Criação: Marc Chagall.

sábado, 11 de julho de 2009

Aconteceu...



Saudade (dias sem você)



Sento em minha cama e sonho.
Sonho que você irá chegar.
Pareço então, agora (talvez), um completo tolo,
mas um tolo que sabe amar
você com todos os seus defeitos... Você só pra mim,
que está fazendo tanta falta... Faltando minha metade.
Quero apenas estar com você, enfim,
nunca duvide quando digo que amo, isso é verdade.


E isso é tão real,
Como o quanto eu sinto em te amar.
E é tão bom... Não quero isso cessar:
Amor-torto, amor-raiva, amor-louco...
E isso é tão real,
Como o quanto eu sinto em te amar.
Esse nobre sentimento que me habita não é pouco... Não é pouco.



Queria o carinho da sua mão quente,
de leve sobre todo o meu corpo
de leve fazendo meus sentidos viver
não importando os obstáculos que virão pela frente,
importa o que sinto em meu íntimo cada vez mais crescer,
como meu pensar em ti a cada amanhecer
em que sou um ser muito feliz
com ânimo para mais um dia suportar,
esperando que os versos que fiz
sejam como a imensidão é para o mar.


E isso é tão real,
Como o quanto eu sinto em te amar.
E é tão bom... Não quero isso cessar:
Amor-torto, amor-raiva, amor-louco...
E isso é tão real,
Como o quanto eu sinto em te amar.
Esse nobre sentimento que me habita não é pouco... Não é pouco.



Posso estar sendo o mais bobo dos bobos
que por um dia sequer que de você fica distante
faz parecer o fim do mundo,
mas um bobo (não esqueça) que é só seu... Seu eterno amante.
Fico assim... Sentimento profundo.



E isso é tão real,
Como o quanto eu sinto em te amar.
E é tão bom... Não quero isso cessar:
Amor-torto, amor-raiva, amor-louco...
E isso é tão real,
Como o quanto eu sinto em te amar.
Esse nobre sentimento que me habita não é pouco... Não é pouco.







Imagem:
Criação: Marc Chagall.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

tIc... tAc... TiC... tAc...



1 minuto




Pelo tempo não há o que não passará, não há!
Por mais que se tente, provavelmente não escapará,
mas mesmo assim são tantos os desejos e vontades
que criam um mundo de várias realidades que parece sem fim.

As pessoas envelhecem e não querem aceitar.
Os jovens querem mais e mais experimentar, abusando
e morrendo muitas vezes sem ar.
São tantos os produtos, os recursos...
Um dia tudo acabará? Quando?
Só falta um minuto, só falta um minuto.

Parece tudo tão banal, embora haja tantos preconceitos.
Realmente banal: pessoas morrem na nossa frente
e não se tem nenhuma reação parcial. Humanos desatentos?
Não. Voltados para seu umbigo, sem compaixão.
Um dia tudo acabará? O que existe realmente?
Só falta um minuto, só falta um minuto.

Está tudo tão rápido, está tudo a mudar.
O conhecimento de hoje é descartado amanhã
como a atenção que já vem sendo
mesmo importante para a humanidade, para o seu bem-estar,
mas que pouco existe ou talvez não exista mais.
Um dia tudo acabará? Você está vendo?
Só falta um minuto, só falta um minuto.




Emoções, sensações, quando não mal interpretadas estão distantes,
em raros instantes que é difícil perceber.
O sentir e o gozar ainda corromper-se-ão
tornando-se mais um escarro bestial
como o amor que além disto está efêmero e objetal.
Um dia tudo acabará? Há alguma reflexão?
Só falta um minuto, só falta um minuto.

Apesar de não passar a tentativa é válida
como mostrar a membros desta população tão amarga
matéria, banalização, velocidade, emoção
que estão em mim, em você (isso é humano!)
e um dia sentido encontrarão.
Um dia tudo acabará? Serei um insano?
Só falta um minuto, só falta um minuto.

As aparências enganam.
Não falta mais!





Imagem:
O Soldado Bebe
Criação: Marc Chagall.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Pra vc V. (?!)




Ainda... Diferente



Tudo pode acontecer, seja você quem for.
Pode haver muita dor, mas também uma felicidade qualquer
que muitos anteriormente possuíam
e não aproveitaram e arrependidos estão.
Ainda... Diferente... São riscos que por viver se tem.

Respire como se fosse pela última vez e se tem a sensação
de que agora, talvez, respostas ter-se-ão
de tudo que possa imaginar, e finalmente, então
poderá saber o que é o Amar... Viver...
Ainda... Diferente... É uma escolha Par.

Sentado na esquina parado, ele disse:
“Às vezes penso que vim para amar e não ser amado”,
sem saber que “ela”é seu quarto e Amor pode ser tudo...
Algo que nos deixa duros, por sua ausência.
Algo que nos deixa bobos, por tanto querer.
Algo que nos deixa vivos, pelo simples fato de buscar e ter.

Aproveite as chances, não deixe escapar por suas pequenas mãos.
Sem correr, sem correr, sem temer... Encontrar-te-ão.
Encontrei... Sem querer... Mas que agora quero tanto.

E agora é persistir; pegar tudo e fazer funcionar.
“Não tenha medo de sentir, de você”, disse ele
pensando ainda estar lá... Já está em mim, em mim tênue
Sem saber (não sei) o porquê.
Docemente cresce e se espalha. Creio em você.
Entender... Entender... Alguém?




Teimoso, querendo fazer com que sinta o que ainda não sentiu.
Ainda... Diferente... Vou fazer sentir. Quem sabe fiz.
Sentir... Sentir... Sentir... Feliz?

Teimoso, querendo fazer com que sinta o que ainda não sentiu.
Ainda... Diferente... Vou fazer sentir. Quem sabe fiz.
Sentir... Sentir... Sentir... Feliz?

Sentado na esquina parado, ele disse:
“Às vezes penso que vim para amar e não ser amado”,
sem saber que “ela”é seu quarto e Amor pode ser tudo...
Algo que nos deixa duros, por sua ausência.
Algo que nos deixa bobos, por tanto querer.
Algo que nos deixa vivos, pelo simples fato de buscar e ter.

Aproveite as chances, não deixe escapar por suas pequenas mãos.
Sem correr, sem correr, sem temer... Encontrar-te-ão.
Encontrei... Sem querer... Mas que agora quero tanto.
Ainda... Diferente... Dessa vez pode ser diferente.
Diferente. Diferente. Diferente. Rente. Em mim.






Imagem:
Criação: Mar Chagall.

O último...





Mais uma vez




... E nos momentos de prazer
éramos um só:
eu todo pra você, você pra mim.
Enquanto nos outros, os poucos que havia
é como se nada, nada existisse.
Mas as coisas, depois de um tempo,
não continuaram assim.
E quem chorou, quem sofreu
foi alguém que queria apenas o seu amor.
E quem tentou resistir, aceitar
foi alguém que desejava um pouco de atenção.
E então, um perfurante “Não”
que irrompeu pelos meus sentidos...
“Você não é um velho, é tão jovem,
outro seus sentimentos encontrarão.”
Mas mesmo assim, não consigo muito entender
como acabar com tudo que se sente,
como acabar com tudo que se acredita?
“Vamos tentar só mais uma vez,
eu ainda amo você.”
Ás vezes penso: eu te amei? Você me amou?
Desesperado, caído no chão daquele quarto
em que fomos tão felizes (eu fui) fiquei
querendo você, querendo você, querendo prazer.
Talvez esse foi o erro: apenas prazer.
Mas de quem é a culpa
disso e dessa realidade confusa?
Não sei. Cansei.
Por quê? Por que tinha que ser dessa forma?
Um romance de tanta intensidade,
mas que acabou, acabou.
E quem perdeu, quem mais uma vez morreu
fui eu. Eu.







Imagem:
Amantes ao luar
Criação: Marc Chagall

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Nós?




A Dança

No início, as coisas eram boas.
No primeiro encontro transamos,
você com suas mãos excitando-me
e dizendo que eu era o seu grande amor.
Tirou por completo meu pudor.
Por várias vezes, tantas vezes, ferindo-me,
enquanto perto dançávamos
a única música que nos fazia estar juntos... Horas tolas.

Mas depois do êxtase, do ápice da música
estava eu jogado na cama
sentindo-me imundo, estúpido,
porque mesmo sofrendo conseguia amar.
Você nem ao menos tinha vontade de me beijar
antes de sair pela porta para o seu mundo,
atrás de pessoas para mais uma aventura insana
enquanto ficaria com essa vida lúdica.

Por que você tinha que aparecer?
Ainda estava vivo sem você.
Depois... Depois... Enlouquecer.

Resolvi ficar longe.
Para o ex-namorado voltar.
Mas as coisas eram diferentes,
sobre os lençóis o movimento não era o mesmo,
o instrumento dele era tão pequeno,
as sensações dentro de mim pouco quentes
em que mal podia realmente dançar.
Não havia ligação. Não havia a nossa ponte.

Então corri atrás.
Deixei o orgulho de lado,
implorei pra você novamente me amar
mesmo que com você eu padecia,
mas sem você o pior um momento viria
Meu desejo era de com você casar
mesmo que sofresse e também fosse amado.
De você não desistiria jamais.



Por que você tinha que aparecer?
Ainda tinha amigos sem você.
Depois... Depois... Esquecer.

Bela foi a união.
Vermelho e negro
como o meu coração.
Paixão e rancor intensamente
que habitavam meu corpo e minha mente
despertando em mim tanta emoção.
Mas também fazendo nascer um medo
que era pior que a da primeira penetração.

O nosso casamento de sangue não deu certo.
Quem sangrou fui eu
e você apenas olhou.
Você a excitação. Eu a dor.
E o que eu pensava ser amor
era vício que me afundou
em um terrível, maldito breu,
fazendo um desejo de morte ficar de mim muito perto.

Por que você tinha que aparecer?
Ainda tinha sonhos sem você.
Depois... Depois... Perder.

Então o previsto aconteceu.
Destino? Fatalidade? Não sei.
Sei apenas que prazer maior sentiu
minha alma ao fatiar seu corpo,
deixando-me um pouco tonto,
lembrando tudo o que você mentiu.
E eu um desejo novo criei
em que o dançar sobre seu sangue permaneceu.

Por que você tinha que aparecer?
Ainda havia humanidade sem você.
Depois... Depois... Prazer.







Imagem:
Endless Love
Criação: Alfred Gockel

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Desenvolvimento...



Verdade I ("Vida!")



Nascemos cobertos de sangue
sem saber para onde ir,
pais atenciosos, carinhosos, utilizamos
até a hora em que decidimos cair(de cabeça)
em decisões imaturas, mas que são nossas
atitudes "seguras", são nossas
confusões necessárias, são todas nossas "mother"!
Bela foi a infância, tudo era puro
como segurar a mão de meu vizinho,
6 anos de doçura, sem maldade, com sonhos a realizar
em que hoje nem quero estar perto,
afinal, de traficante e estuprador o mundo está cheio.
6 anos, tão feliz. Quem iria imaginar?

Vivemos cobertos de sangue
de falsas verdades jogadas em nossas caras,
em que como adolescentes acatamos com agrado.
Pra que "pensar" e fazer o contrário?
- Mother, estou linda!(sapatos e maquiagem)
- Father, um conversível não seria mal!(fútil e idiota)
Compramos coisas que não vamos usar,
compramos livros que não vamos ler,
fazemos coisas que não nos agradam;
“existimos" ou somos "fabricados"?
(É correto generalizar?)
Festas, drogas, sexo...
Tudo é real, além de muito bom,
como nossos estudos promovidos
pela racionalidade animal;
a humana está decaindo
como a tradição e o valor cultural.
Cadê as manifestações juvenis?
Cadê a crise de geração?
Adolescentes que aceitam tudo,
um tiro no escuro, o que se tornarão?
- Mother, a passagem do ônibus está mais cara.
Dinheiro a esbanjar.
Como conseguem suportar? Estão cegos?
- Mother, quero aquele lindo colar...

Por que não aproveitar que são 18 horas,
parar de pensar no piercing do umbigo,
sua bunda grande, seu seios pequenos,
seu mísero pênis, que está sem atuar a muito tempo,
para pensar em um bem comum a todos?
Não seja egoísta!
Não vivemos sozinhos,
e o saco de atitudes inconseqüentes
está quase explodindo... EXPLODINDO.



Adultos frustrados... (verdade?)
Adultos frustrados... (futuro?)
Adultos frustrados... (nossa realidade?)
Você entende o que quero dizer?

Aquecimento pelo globo azul,
chuva ácida na pele cinzenta,
doenças e pragas a estudar...
É tão lindo!
Favelas? Política corrupta?
(Melhor não relatar agora, podem escutar.)
Vivemos em um grande circo de idiotas,
faturando ignorância e muita dor...
É tão lindo!
- Vocês não são únicos! Sintam-se bem!
O FUTURO... O FUTURO É PROMISSOR.
- Mother, quebrei a unha, fui despedida...
Quero voltar pra casa, estou na rua desesperada.
E tudo, TUDO está tão "bem”.

Encontramo-nos em tamanha desgraça.
(Pessimismo? Realismo?
Opte pelo que desejar.)
Alguém quer gritar? Alguém pode gritar?
- Querida, quer alguns dólares
comprar seu namorado e ser feliz?
CUIDADO!
A entrada para o inferno
está cheia de boas intenções.
... Morremos cobertos de sangue. (abrem-se os portões)

(- Fila indiana por favor.
O enxofre é restaurador.)

Now! Now! Now! (to be killed!)
Now! Now! Now! (life is...)
Now! Now! Now! (to be killed!)







Imagem:
Nascimento de um novo homem
Criação: Salvador Dalí

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

p.r.e.c.o.n.c.e.i.t.o.



Diferente devorar





Mistérios trazem tristezas
e a vida tem planos.
Está frio; todos olham,
(parem de olhar!)
então me movo, tento esconder.
Gostaria que tudo fosse mais justo,
mas acabaram de ir
e mais ferozes vão retornar.

Sentimos medo,
(parem de olhar!)
além de desprezo e sofrimento.
Não somos poucos.
Tornei-me o que não posso ver.
Estaríamos errados? Estaríamos loucos?

Observam-nos com nojo.



(Seus castelos de cartas caem, mas a ignorância insiste em ficar, para rir da diferença. Ela tem medo, como vários humanos que estão pendendo de suas gravatas, de seus calçados caros e inevitavelmente irão cair. Seria melhor morrer esquartejado!)





Imagem:
Discriminação e drogas
Técnica: Óleo sobre tela
Criação: Antonio Juvenil

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Esquecer?



Erros (vermelhas, azuis!)



Vemos o mundo girando
e nada, nada podemos fazer.
(eu! Você!)
Gritamos o máximo que podemos,
é difícil, é necessário
e cometemos os mesmos erros outra vez.
Temos motivos, não temos escolhas
o mesmo erro vamos cometer.
(Vou cometer! De novo! De novo!
Perdão, meus sombrios reis.)

Abrimos a porta, queremos sair
tudo ainda gira
(as vermelhas, as azuis)
e as estrelas estão caindo
sutilmente sobre nossas cabeças
(há dor, mas estamos juntos).
Mais uma vez erramos
(eu! Você!)
e agora estão comentando, eu sei
e não há mais vermelhas...
(por quê?)
e não há mais azuis...
(há tanto a usar.)
Eu mais uma vez errei.




As pessoas falam o que querem,
mas ninguém percebe o quanto gosta de sofrer
ninguém... Está tudo bem.
(eu! Você!)
Até o fim dos tempos iremos perecer
e nos sentiremos satisfeitos,
como amantes que não pensam
que de volta à Rua dos Tormentos
querem apenas mais um beijo.
E é tão bom! Nós podemos.

Tentamos esquecer o que fazemos
querendo sempre ser perdoados
(somos todos assim),
pois aos poucos a humanidade,
sente aflição ao que é real,
que somos um pouco de desprezo e solidão
(eu! Você!)
decidindo, muitas vezes, nossas feridas mostrar
rasgando a pele docemente.
- Você não me ignorará!
(É o que desejamos intensamente.)


... Criança, me leve,
eu quero esquecer...
Eu quero esquecer?






Imagem:
O menino mau
Criação: Eric Fischl

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Divagação???




Made China!(Poor USA)





Não há quem não tenha.
Devemos encarar a vida como deve ser,
olhando as estrelas embaixo de uma árvore
com a pessoa que mais amamos,
aproveitando os dias,
aproveitando as noites,
pois, querida, tudo um dia acabará.
Então virão as lamentações:
não se aproveitou o bastante,
ficamos apenas no mundo do dinheiro e da televisão,
além dos rótulos vagabundos
que custavam alguns dólares
e a sua ridícula satisfação.
- Tolinha, foi fabricada na China;
mão-de-obra barata,
mas um dia dominarão. Pobre Japão.

Ria e mate o quanto puder,
basta ser político de país tropical
para você fazer o que quiser.
Não precisa nem ser muito esperto,
basta ter um discurso franzino
e um terno qualquer.
Só não pode esquecer dos miseráveis,
eles merecem alguns trocados.
Afinal, serão os futuros subordinados.

Quer um exemplo? Exemplo Brasil.
Quinhentos e tantos anos de muita merda,
mas com orgulho da nação gentil.
Ouviram, ouviram do Ipiranga
o grito de um cara que não sabia o que fazer,
e fez muito. Aplaudam! Aplaudam!
Sem generalizar, é claro. Há salvação.
Emergente sim. Subdesenvolvido não. (podem escutar)

Se não tem uma Barbie
trate de adquirir, as coisas ficam caras
e ela é tão útil, meu bem.
Não tem ainda uma Ferrari?
Meu caro, economize
aos 60 comprará...
Não ela, mas um belo fusca.
Será necessário, ele poderá voar.

Poeminhas lindos, o que querem expressar?
Às vezes a melhor saída é arriscar
jogando tudo de uma vez no papel.
Santa evolução ou besteira de mais um Pedro.
Ele fez. Podemos tentar?

E a China... A China dominará.
Goodbye América!
Well... Well...
Fire mean! That's right!



Imagem:
Mulher sentada
Criação: Ismael Nery

domingo, 19 de outubro de 2008

Instigante...



Apologia!(Desejos)




Às vezes queremos sumir,
morrer, mas falta coragem
viver, mas falta emoção
acabar com a falsidade, essa abstração
que impede a realidade de se mostrar,
em cada um, sendo o que é.
Você faz o que quer?

Vamos tomar, vamos usar
pensando estar sufocados,
mas não passa de um pequeno medo.
Vamos experimentar?
Falaremos com Deus onisciente
e ele dirá o que há de errado,
acabando com o maldito sofrimento
e juntando-se a nós para relaxar.
Ele prefere sentado no patamar.
Vamos lá! Vamos lá!

De repente estamos diante de luzes.
E nos sentimos bem, nos sentimos mal,
querendo mostrar para este louco mundo
quem realmente queremos ser.
De repente começamos a acreditar
que com nossos sonhos
tudo pode mudar.
Agora observam nossas vidas,
permanecemos em um lindo palco,
com fantasias de carnaval.

Veias a pulsar. Veias sentimos pulsar.
É maravilhosa a sensação.
Por que não participar?
- Larousse! Chegou o Natal.



Imagem:
The Magic Flute
Criação: Marc Chagall

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

!



Para o fim (Inevitável!)





Tudo acontece pelos outros
por nós idiotas também.
Destruímos o que podemos,
e o que não podemos
novos experimentos tentam fazer.

Sapiens! Ignorante Sapiens!
O futuro querido está aí.
Iremos todos cair. Cair...

Diga adeus! (enquanto ainda pode)
Diga adeus! (azar e sorte)
Diga adeus! (coração a sangrar)
Diga adeus! (viva de verdade)
Diga adeus! (para os fracassos que são os anais)
Diga adeus! (a tola política retornará)
Diga adeus! (irei ao funeral)
Diga adeus! (Cristo! Será uma medida irracional?)
(Mais uma...)

Fico a pensar: sobre a desgraça entender.
Fico a pensar: há tanto a impedir.
Fico a escutar: o caos da multidão promissor.
Apenas diga olá!
Ou lute. Irá adiantar?

Diga adeus! (tantos irão morrer)
Diga adeus! (alguém viverá por você?)
Diga adeus! (não há lugar para correr)
Diga adeus! (nossos sonhos jamais persistirão)
Diga adeus! (será tudo ilusão?)
Será? Apenas diga olá!

Esse é um futuro presente.
Resta beber e aceitar;
foram tantos os violinos a chorar.
Sueda agid! Ainda têm coragem de negar.
(tudo é besteira. É tudo falsidade.)
Ir pra cama com sua mãe, transar e gozar.
(Ah! Ah! Ah!)
- (Autoridades) Que tal (senador) agora chupar?

Sapiens. Homo sapiens sapiens....
Adeus! Nunca mais.




Imagem:
The Promenade
Criação: Marc Chagall

!!



O fim (Um tanto razoável)





Saíamos felizes do restaurante
perguntando se dessa vez iria chover o bastante.
Quando de repente tudo aconteceu.
Em um instante tudo desapareceu.
Beijos morreram... Lábios secaram...
Eliza!Cadê você?
O casamento iria ser tão lindo,
agora meu terno está em pedaços.
Custou uma fortuna. Quem fez tudo isso?
Eliza, está tão escuro,
mas escuto você respirar. Parece querer algo falar.
Fale!Fale!
- Santo capitalismo... Sempre adorei o norte imperialismo,
agora estou no auge de minha humanidade gananciosa
ainda há bombas a estourar...
Bombas(H)!Bombas(H)!Bombas(H)!
Continuem a festa, não parem,
restará tempo para transar.
Isso eles sonhavam ouvir. Adeus amor!
Chegou o fim.

Eu me lembro. Eu não quero lembrar.
Vida foi mais um sonho que passou
e jamais irá retornar.
Ninguém é merecedor.
Faríamos tudo de novo.
Matar. Matar. Destruir. Destruir.
(Sem amor; sem amor.)
Prezávamos a inveja, o ódio, o rancor...
Dinheiro. Sexo. Dinheiro. Sexo.
Muito dinheiro... Muito sexo...
Meus irmãos e minhas irmãs não vão retornar.

Pau e pedras... Pau e pedras...
Começaram os gritos aflitos
dos "normais" e dos "defeituosos" que resistiram.
A primeira visão do que restou foi horrível,
ainda é horrível, mas temos que aceitar.
A poeira subiu vermelha das vidas que se foram
apareceram então os resquícios da destruição supranatural,
como se fosse um lindo banquete que esperava
por convidados famintos de crânios e sangue da população mundial.
Órbita. O mundo não saiu de sua órbita,
o universo ainda expande-se
como a fome e a ganância que ainda não foram destruídas.
Eliza, sinto tanto a sua falta
com você também se foi meu coração,
e agora sou mais um escravo desses "desenvolvidos"
que nos iludem com um falsa reconstrução.
Ameaças ainda existem:
- Trabalhe seu porco, ou não terá jantar!
A tolice também:
- Sim senhor, feliz e com louvor!

Eu me lembro. Eu não quero lembrar.
Vida foi mais um sonho que passou
e jamais irá retornar.
Ninguém é merecedor.
Faríamos tudo de novo.
Matar. Matar. Destruir. Destruir.
(Sem amor; sem amor.)
Prezávamos a inveja, o ódio, o rancor...
Dinheiro. Sexo. Dinheiro. Sexo.
Muito dinheiro... Muito sexo...

Meus pais e minha noiva não vão retornar.

Tento ao máximo resistir, fazer de conta que vivo.
Meus últimos amigos começam a morrer.
Mamãe, você não tem idéia do que fazemos
sentiria vergonha se visse tudo,
mas temos que sobreviver e eles...
Eles querem muito prazer.
- Acalme-se, não sentirá muita dor. Será bom!
É tudo tão feio: nossas atitudes (não temos escolha)
É tudo tão feio: esqueletos de 10 m por todo lugar.
É tudo tão cinza. É um morto cinza.
Somos todos mortos e preservamos (não temos escolha)
o mal do mundo e sua estupidez,
como nosso maior tesouro.
Bem, o tesouro de poucos: a ganância.
Desertos por todos os lados, sofrimento constante.
Felicidade que como as pirâmides não mais existem,
pois tudo desabou; o que vou fazer?
Seria a morte minha grande vitória?
Quero morrer. Não há mais nada que me prenda aqui.
Agora! Agora!

Eu me lembro. Eu não quero lembrar.
Vida foi mais um sonho que passou
e jamais irá retornar.
Ninguém é merecedor.
Faríamos tudo de novo.
Matar. Matar. Destruir. Destruir.
(Por orgulho; por orgulho.)
Prezávamos a inveja, o ódio, o rancor...
Sexo. Dinheiro. Sexo. Dinheiro.
Muito sexo... Muito dinheiro...
Fogo! Fogo! Fogo!
Zzz... Zzz... Zzz... Zzz... Zzz...

(Saíamos felizes do restaurante
perguntando se dessa vez...) Fogo! Até logo.







Imagem:
Brautpaar mit Eiffelturm
Criação: Marc Chagall

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Ele nem imagina...



Pessoas (sentado em um banco a esperar)





As pessoas caminham, caminham, caminham...
E elas respiram, respiram, respiram...
Algumas são velhas, velhas, velhas...
Outras são verdadeiras sinfonias, sinfonias, sinfonias...
E estão todas vestidas, vestidas, vestidas...
As mais lindas estão de negro, negro, negro...
Todas sob o mesmo finito céu, céu, céu...
Teremos mais um fim banal?
Fico a esperar, esperar, esperar...
... cinza e azul... Ele chegará?
Creio que não.



Imagem:
O eco do vazio
Criação: Salvador Dalí

Compreende???




Aspirações a uma vida(o espelho)



A sombra ainda paira sobre ti
simples e segura como um véu a te cobrir
que impede por vezes da luz entrar,
a luz de um inesquecível olhar
fazendo-o assim mais uma vez
uma triste melodia a sorrir.
Iria ser melhor você chorar.

Ainda há uma chave.
Inesperadamente você não está mais dormindo,
mas não sofra o pior dos castigos:
matar os demais, e com eles morrer sem pensar.
Apenas resista e viva intensamente.
Não queira ser mais um humano de lamentos
que enlouquece a própria mente,
(eu sei! Eu fui!)
mas sim, o carisma vivo que às vezes deixa de ser.
Sorria pra mim. Ao menos tente!

Olhei o seu espelho por um tempo
e não sei de que lado sua alma está.
São tão pequenos os pedaços
caídos, quebrados
que não consigo juntar,
mas que são importantes para muitos
e grandes demais, afiados demais para eu tocar.
Refaça você! Mostre o espelho
que um dia fui feliz de olhar.
Tire esse maldito colar,
somos muitas vezes você.




Não sangre! Eu sangro...
Respire! Eu vivo...
Não há sentido, tudo vai melhorar
(como sempre)
e então eu poderei enfim imaginar
que você realmente retornou,
das infames sensações, dos tristes infelizes
que em momentos matou,
a tantos e a mim.

Pare toda e qualquer dor.
Reveja os erros como um inocente
sem temer palavras inconseqüentes
que talvez tenha que merecer.
Seja feliz com seu amado ser,
não o tornando mais frio, confuso, sombrio
pois ele também no fundo ama você.
Isso temos que entender. Tenho que entender.

Não vire para o horror. Prometa!
Não tente esconder o seu amor. Prometa!
Apenas seja o que verdadeiramente é
fazendo-me feliz.

Sou seu eterno aprendiz.





Imagem:
O Aniversário
Criação: Marc Chagall

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Viveu...



Alguém a sentir


Olho para todos os lugares
e vejo que as pessoas não vão para lugar algum.
Por que tem que ser assim?
Um dia sentirá falta de mim.




Estamos nos sentindo tão bem,
como sempre nos sentimos tão bem.
(Seus olhos são grandes)
Não estamos onde queremos estar,
Não fazemos o que queremos fazer.
É num mundo lindo que eu quero estar,
é isso que eu quero fazer.
Aonde quer que você vá, eu vou saber.
(Abraça-me forte)
Mas para onde eu vou?
Tudo se move. Tudo se move tão rápido!
Há tanto barulho. Há tanto som!
Se você pudesse ver...
Há tanto rancor! Eu posso sentir.
Todo esse barulho... Pássaros na imensidão.
Se você pudesse ver...
Ouça o som da histeria, tudo é uma paranóia.
Odeio o quanto gosto de você.

Você é um ser tão bom, tão ridículo, tão maravilhoso...
(Faz-me gritar!)
Nunca vá embora.
Você me faz querer cair.
Não sabe o que está fazendo,
o que está fazendo comigo.
Eu não consigo parar (você sabe);
segure! Não me deixe cair.

Posso ser aquela escuridão
que conhecemos tão bem.
Podemos não ter nada.
Tudo pode ter acabado.
Talvez nem tenha começado,
mas sua sombra tende a sumir.
(Ouço o que diz, mas é tarde para entender.
Ouço o que não diz, gostaria de esquecer.)




Você diz que precisa de mim,
mas sempre foge.
Meu amor era forte, agora está por um fio.
Já é tarde demais,
cansei de me desculpar.
Apenas não caia num espaço vazio.
Não pense mais em mim, se fiz tanto mal.
Não pense mais, seja feliz.
O convite não tem fim.
Não se preocupe, eu estou bem.
(Mais uma vez)

Mais uma vez...
Sigo apenas meu coração,
num piscar de olhos meus sonhos desabarão.
De repente sinto medo.
Estou longe de você.
De repente isso é o melhor.
Eu nos fazia sofrer.

O tempo passa...
Quero voltar pra casa.
Odeio o quanto tenho que ser,
ninguém vive no meu intenso anoitecer.
Corações espalham-se mais uma vez,
e o meu... O meu...
O meu sempre estará com você.




(Montanhas brotam como cristais que perfuram sua pele, pois eles querem mais uma vítima, eles podem escolher. E as borboletas matam os imensos pássaros azuis que querem levar seus sonhos para a Terra de Carmesim, impedindo mais um de ser feliz. Montanhas-russas caem... montanhas-russas caem... você cai sobre as navalhas afiadas, cortando-se, há muito sangue, você agoniza a cada instante, é prazeroso e você gosta. Você gosta! Borboletas... cristais.)




Imagens (respectivamente):
Sentimentos profundos 1; Sentimentos profundos 2; Sentimentos profundos 3
Criação: Dad

sábado, 11 de outubro de 2008

E matou...




A vida de viagens vai te matar!



Seria mais uma santa ironia
se eu dissesse Aleluia!
Anjos no inferno, demônios no céu
e você na terra, na terra pra mim?
Observo o choque matador de teus olhos,
fitaria tudo por horas,
mas talvez você não iria gostar de me conhecer,
por receio ou será que lhe falta tempo?
Posso deitar com você?

Tudo bem. Não desistirei.
Isso é só a parte mais difícil de viver.
Tudo bem. É isso que você quer.
Viaje e deixe que tudo passe desta vez.
Novamente irei suportar.
Acredite. Conseguirei!
É isso que você quer?
Incrível céu noturno!
Posso deitar com você?



Não se perca na prescrição de vôos fracos,
tendo uma visão cega do que é real.
Essa é a última noite que minto.
Posso deitar ao seu lado?

Como gostaria de apreender seu nome e até você,
esperando que queira fazer o mesmo,
por que não morrer?
Estou sendo trágico! Não é espanto.
Meu vôo fraco cômico.
Eu ainda insisto:
posso deitar ao seu lado?

Pense em tudo que poderia encontrar.
As luzes que ainda caminham em par
em ti, em todos nós,
querendo urgentemente
uma vida estéril do falso amor.
Imagine tudo que poderia ser;
gostaria que roubasse o tempo para me reparar.
A culpa não é sua por eu ser assim,
chutar folhas que vejo no maldito jardim,
dançando numa árvore,
querendo picadas no veludo sem fim.
(Eu já quis. Desisti! Você sabe.)
Eu não culpo você.
Posso deitar ao seu lado?

Talvez isso não irá ajudar,
então ria daquele ridículo altar.
Aleluia! Cinzas! Aleluia!
Cadê as pílulas e as agulhas?
As viagens vão te matar!
Não permita.
Sentirei sua falta, sentirei muito sua falta
e a ausência do choque do seu beijo
torna isso tão difícil.
Não é simples alguém querer.
Você conseguiu o que mereceu?

Seria mais uma santa ironia se eu dissesse...
Posso deitar com você?
Indo abaixo.







Imagem:
O Poeta Viajante

Criação: Gustave Moreau

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

.



Enquanto a chuva cai



...antes do silêncio,
durante a escuridão mais escura
não se via nem um ser vivo,
não havia sequer um pássaro no céu
ninguém era capaz de pensar.
De repente, não mais que de repente
o horror dos pesadelos
quebrou o silêncio atordoante,
fez as luzes surgirem como um mágico amanhecer
para a parte mais difícil de viver
simplesmente acontecer:
Dúvidas.
(Você não está sozinho.
Eu espero que você saiba)

O dano causou feridas
temporárias, permanentes...
que a vida exigiu pelo prazer
de poder em raros momentos rir,
rir tão alto que pode doer,
ou pelo menos para conseguir fugir.
(Ria!)

O que sou? Por que sou?
O que quero? Por que quero?
Não é tão simples assim?

O vento traz uma chuva cinzenta
com respostas que podem sangrar seu coração
como quando iluminamos nosso caminho,
como quando socamos nosso tempo, nosso destino
para experimentarmos a mais fria sensação.
Paixão com razão é o roubo de teus olhos
(de tantos olhos!)
não visíveis a qualquer um,
apenas àqueles que como você
têm mais de uma opção.
(Você não está sozinho.
Eu espero que você saiba)




Físico. Mental.
Seguramos em nosso coração a espada e a fé
inchados pelas nuvens de chuva,
movendo-se como a fúria
(não uma qualquer)
procurando respostas sem perguntas a formar
ou que já estão em você, mas não quer acreditar.
(É o que vejo)
Pode optar por ser
mais uma música triste com nada para dizer,
fugindo, correndo.
(Você sabe do que, de quem)
Mas para onde? Como esconder?
Ou encontrar outra maneira,
como o brilho de teu sorriso a encantar
(a tantos)
assim como o seu sangue vivo.
Não passe o resto de seus dias
balançando só para os mortos,
nem vivendo de sonhos
em que nunca irá acordar.
Esqueça as ofensas, os inimigos também.
Elas padeceram neste inferno
e eles no próximo como quiser.
Viva o momento: arriscando, sofrendo.
Viva o momento: amando, entendendo.
(Você não está sozinho.
Eu espero que você saiba)

Recíproca sinceridade.
Homens e mulheres.
Homens ou mulheres.
Talvez sim. Talvez não.
Podem amar, no mínimo apaixonar.
Tudo é tão normal.
Vivendo, morrendo...
Gozando, temendo...

Posso estar errado, mas sou o primeiro a pedir desculpas.
Posso ser errado, mas aprendo coisas malditas.

Peça desculpas se puder, mas não como eu.
Admita o erro, mas não como eu.
Não queira ser infeliz, não poder amar
sabendo que sempre está morrendo,
como pragas em um lindo pomar.
(Eu sei!)
É difícil conviver com alguém por muito tempo.
(Entende? É apenas instante)

A chuva parece cessar,
anjos param de chorar.





Imagem:
The Waterlily Pond (1899)
Criação Claude Monet

..



O seu fantasma



Enfim encontrei o amor,
algo maravilhoso, inovador,
que em meu morrer silencioso
fez despertar um pouquinho de fé,
talvez esperança,
mas não uma qualquer,
de neste instante
em um segundo perfeito,
apenas um segundo, nada mais
poder ser feliz,
perder a infância de horror.
(Você sabe. Poucos sabem.)

Nunca pensei que fosse tão difícil.
Nunca imaginei conseguir.
Nunca acreditei isso poder.
E você nem ao menos percebe,
enclausurado em suas aflições,
morrendo por seus desejos injustos
como se fosse um anjo no inferno
(neste ou no outro se quiser)
que busca sem cessar pelo Paraíso,
algo maldito, tão incerto.

Por que tem que ser assim?
Não sou merecedor de um belo fim?
Por que tem que ser assim?
Coração a chorar a todo instante,
desejos de um viver constante,
ao seu lado, ao seu lado...
esquecendo o corrupto passado,
minhas mentiras, faces frias
sendo o que realmente sou.
Apenas ao seu lado.

Sei que o maior erro é o meu,
por não possuir coragem de dizer
nem ao menos suspirar meus sentimentos
por medo de não ter você. Só você!
Seu fantasma atormenta-me todos os dias
dando-me amor à distância
sem você saber,
dando-me um ódio constante
implorando por morrer.
E você nem ao menos percebe.
Está com chuviscos ao amanhecer,
como minhas lágrimas,
tão sinceras, necessárias
por este ato de amor.




Os dias velam pelo tempo.
Os dias velam pelo tempo.
Os dias velam por mim.
E todos cairemos, todos cairemos...
Tudo cai! Tudo cai,
enquanto estou a chorar.

Eu nunca os deixarei, eu nunca os deixarei
Eu nunca os deixarei machucá-lo,
eu não consigo esquecer você.
Eu nunca os deixarei, eu nunca os deixarei
Eu nunca os deixarei machucá-lo.
Incrível ser.
Eu prometo!

E através de tudo,
espero ao menos salvar minha alma,
que assim como o seu viver
permaneça pela eternidade em plenitude.
E através de tudo,
resta pouco tempo para mais um partir,
mais um infeliz,
que sempre irá você amar,
seu sorriso, suas aflições lembrar.
Ao seu lado escutei, suportei
e não percebeu.

Tudo cai.
Bem, depois de tudo...





Imagem:
Saule pleureur
Criação: Claude Monet

...




Faz-me viver, faz-me feliz!



No início.
Quebrou-se meus braços no pesadelo,
mas meus desejos, sobre meu peito
ainda não morreram de frio,
pois só o tempo,
Fantástico e Trágico é o tempo,
como brasas caídas em meus outonos pensamentos,
por vezes resistentes suavemente,
os fará dolorosos,
assim como o mundo ou o céu desistir.
Nunca mais existir.

Um por um.
Meu peito se exauriu:
da melancolia que por dias consumi,
que com os desencantos por vezes inventei,
apenas para que a tão sagrada morbidez
permanecesse para me defender de você.
(Foi um grande erro!)
Privei-me por muito tempo de sentimentos.
Lindos e puros,
(você sabe)
que não posso mais temer.
Por mim:
que o amor descobri
e de meus lábios mistérios transbordei.
Por você:
que é um doce merecedor,
e além de tudo faz-me viver, faz-me feliz.

A lua parou no céu.
Enquanto a chuva cai com o silêncio atordoante
e o seu fantasma brinca com os tormentos,
feliz, contente,
(lembranças que amarei para sempre)
a prata avança lentamente
que talvez você naquele tempo, sem saber
como uma estrela ardente
fez a lagoa negra, que foi meu coração
enfim a vida respirar e poder assim brilhar.
(Você é um anjo em século.
Vivo, desejo pulsante.)




Prometa!
Tremo em pensar que poderá ser infeliz,
padecendo pelos outros e sendo infeliz.
Sendo infeliz e longe de mim,
pois se ao menos estivesse perto, concreto
dar-lhe-ia meu carinho
de palavras e sutis gestos
que o infinito de meu íntimo,
assim como o fim do mundo,
que a paz silenciosa não pode encontrar
e jamais irá desfrutar,
nunca irá negar. Pra você! Por você!
Prometa não ser infeliz.

Não haverá fim.
De você não desistirei,
pois finalmente sou eu mesmo
não mais chorando pelo medo de fazer acontecer,
mas sim vivo por você poder ver
muitas vezes seu ser querer,
para conversar, para o amor usar.
(Sinto-me bem!)
Nada posso reprimir (lamento)
sua presença ainda persiste em mim
não me deixando sozinho
(tudo é real!)
sabendo que apenas o tempo não poderá apagar,
eu não iria suportar.
Não é obsessão, só não canso de escutar,
sua voz de seus lindos lábios sussurrar
palavras, simples palavras
que aquecem o meu coração.
Mente e espírito renovar-se-ão.

Tudo. Gostaria de ter você.
Acalme-se. Seu rosto freqüenta meus sonhos mais alegres
fazendo-me como ave que à noite mergulha no seio do mistério,
perdendo minha alma num infindo amor.
Sim! Um anjo quer adormecer.




Imagem:
The Garden in Flower (1900)
Criação: Claude Monet

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Em uma noite dessas...



Banho às 23



Após brincar um pouco
escutando música pesada, um tanto culpada
fico a suar e até a implorar:
Nada melhor que um banho frio!

Aquela preciosidade chamada água
escorre por esse desastre chamado humano
que ao menos ao anoitecer um pouco insano
consegue relaxar.

Água! Água!
Deixei a porta aberta, a música a libertar,
esperando que de repente alguém
também queira deliciar-se em meio ao portátil mar.


Talvez venha uma das amadas criaturas
que me provocam sensações. Fortes e intensas.
Incansáveis e indefesas. Talvez as lindas alucinações.
Por que não? O banho está tão bom!

Ah! Uma aranha tarada fica a olhar: um corpo sujo e nu.
Quer despencar! Parece querer devorar
mais uma presa, tentando pular
e cair em um lugar para muitos comum.
O banho está tão bom!

Mas tudo tem que acabar.
Espere! Alguém acabou de chegar.
(...)
Que pena. É só um bêbado, mais um que caiu.
Ainda assim:
Nada melhor que um banho frio.





Imagem:
Banho em Asnières
Criação: Georges Seurat

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Colapso...



INÍCIO




ENQUANTO O MUNDO ESTÁ EM CINZAS,

O COMEÇO NÃO É MUITO SIMPLES.

(MAL CONSIGO RESPIRAR)

ÀS VEZES APENAS TEMOS QUE DIZER ADEUS

E MORRER POR VERMELHOS CRISTAIS. (GOTAS CAEM)

ENQUANTO SOMBRAS NOS ENVOLVEM,

LEIO SUA MENTE MIL VEZES. VOCÊ VÊ?

MINTO. DOU CONSELHOS RUINS. MAS POR QUE NÃO SE RENDER?

TALVEZ ESTEJA PERDENDO TODA A RAZÃO

MALDIÇÕES CUMPRIR-SE-ÃO. SEM MEDO!

VOCÊ ME TORNOU MELHOR. (OBRIGADO)

JÁ ME ACOSTUMEI COM A ESCURIDÃO,

AS MINHAS LÁGRIMAS SECAM SOZINHAS...

NÃO CAIREI. QUERO CAIR. NÃO CAIREI!

SEREI O MEU MELHOR AMIGO. VOCÊ TAMBÉM É.

O SOL SE PÕE E NÃO ME ARREPENDO;

AS MINHAS LÁGRIMAS SECAM.

QUEM É VOCÊ? O QUE VOCÊ QUER?

EU TENHO QUE IR. SECAM SOZINHAS.

ADEUS! SERÁ MELHOR PARA TODOS.

NÃO HÁ NENHUM SEGREDO.




Imagem:
Vampiro
Criação: Edvard Munch

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Ela... Somente ela... Foi...



Quando ela sorri




Guarda segredos em seus olhos,
envolve mentiras em suas verdades,
mas mesmo assim
sua mera presença faz-me feliz.
(Fico sem ação quando sorri.)

Faço tudo que me pedir:
canto... Danço... Mato até!
Perto quero estar, dor quero sentir.
Enlouquece-me com o seu olhar.

É como se fosse uma rosa
não consigo esquecer.
Dói muito... Ela me leva pro Paraíso.
Dói muito... Quando olha pra mim.
Sou tão fraco. O que posso fazer?
(Ela sorri.)



(Apodrecemos como lobos famintos, que caçavam intensamente sua presa, delicada e carente, que caminhava sobre a neve, que cobria com seu sangue a neve. Era tão lindo!Famintos. Morreram de frio.Atenção! Todos morrerão?Sangue e neve.)





Imagem:
Moça em frente ao espelho ( 1932 )
Criação: Picasso

domingo, 5 de outubro de 2008

Divertido...




Meu vizinho de baixo (Jazz!)


A cama faz barulho,
já passam das 22.
Meus passos fazem barulho,
com um vivo jazz a tocar.
Meu vizinho irrita-se,
no teto começa a bater
o chão começa a tremer,
mas isso não adiantará.


Jazz... Jazz... Amy... Jazz...


Movimento o corpo em meio aos lençóis
e ela penosamente range.
Ele bate: pah! Pah! Pah!
Eu escuto: pah! Pah! Pah!
Tem quatro anos pra agüentar,
a não ser que um morra
enforcado, pendurado na janela
sendo fotografado por jornais.

Aqui em cima fazemos barulho
e já passam das 22.
- Vizinho, escute um jazz!

Acidentes.
Jazz... Jazz... Amy... Jazz...





Imagem:


Alma e Jonas, Meu pequeno vizinho
Criação: Guilherme de Faria

Dois livros...




Alienação por expressão




Portanto, de massa uma forma
seu estado uniforme de lembranças
isto é, de área do êmbolo
em teoria evolucionista, conhecida matança.

Corrente elétrica do mundo
jamais consciente em movimento.
Do conhecimento natural do balanço,
o bom e o mau de 2,5m de comprimento.

Pêndulo cônico no canaviá,
vida ética nas extremidades,
não se interessam por política,
nem interligam o sabiá.


As faces reprimem o formidável
a termométrica com qualidades e sentidos.
Metade de liberdade dos signos,
basta na oscilação de ser responsável.

Em área de país confuso
resta a arte como via universal,
de componentes perdidas – um parafuso
morrendo de relâmpagos por via oral.

Será agressividade, rejeição?
Não! Filosofia física da razão.
E o equilíbrio de associação?
Não é nada. É o Dada da impressão.
Ão! Ão! Ão!




Imagem:

Aquis submersus (1919)
Criação: Max Ernst

sábado, 4 de outubro de 2008

Aconteceu...



A face oposta (um instante)



Inicialmente em repouso,
alguém me despertou para a vida
e com ela, para tudo
para sentimentos e emoções
como o sofrimento e o rancor
que me fazem tão bem.
Quero sobreviver sem sofrer.
Você tem que morrer.


Abandonado para pontos internos,
muito distantes,
por um tempo suportei,
mas esse corpo eu ainda quero,
você terá que desaparecer.
Seus amigos distantes nada farão,
aos poucos consigo seu espírito, seu coração.
Você nem percebe quem age na realidade,
quem escreve seus versos falsos;
você não sente nada, nem sabe o que dizer.
Não é verdade?

Com tantos cortes que você faz
mais forte eu consigo ser,
(você sabe; você gosta)
é apenas questão de tempo
para o meu maravilhoso renascimento.
Isso é constante, como minha força
que tem o dever de enaltecer,
a mim, não a você.

É apenas um lembrete
do consciente do inconsciente desse ser,
patético que sempre está bem,
como um doente que seus sintomas não quer admitir.
Ele está bem. Eu melhor ainda!
Até a próxima vez,
(como em poemas passados
que ninguém pode perceber)
meus queridos inimigos. Isso é recíproco?




Imagem:
Criação: Antonio Veronese

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Ocorreu... Terminou...



Dois em...




Saia da minha cabeça, saia da minha cabeça.
Saia da minha cabeça, saia da minha cabeça.
Saia de meu corpo, saia de minha mente.
Mas os elos são tão fortes, fortes, fortes...
E eu sou tão fraco, fraco, fraco...
- Você é fraco! Não merece nesse corpo permanecer.
Sem mim, viveria em um tecer
de ilusões sem coragem, de pensamentos vazios.
Mas comigo o seu real prevalece:
Vamos brincar. Sem temor!
Vamos jogar. Provocando rancor!
Vamos beijar. Ainda que seja morrendo.
Seu corpo é meu. Sempre será meu.
Seus cortes são meus. Sangue que derrama ao entardecer.
- Quem é você?
- Quem sou eu? Sou você. Apenas você!
Crânios quebrados com tiros laterais,
vento que vem, vento que vai...
Aceite! Aceite! Aceite! Aceitamos.
Mais um vermelho horizontal não fará mal.




Imagem:
Relatividade
Criação: M.C. Escher

Lamento...



Enquanto dia... Enquanto noite...




De dia. De noite.
Resisto. Desmorono.
Gostaria de me libertar, mas não posso dizer que não amo.
Luz. Escuridão.
Não quero mais sentir
que você partiu,
mais uma vez sem mim.

De dia. De noite.
É tarde demais, quero esquecer
todas as noites em que chorei
por seus barulhos, por seus insultos
que não me deixavam adormecer.

As fotos ainda estão penduradas nas paredes.
Agora que você se foi,
sonho que sente saudade
dos momentos bons, dos momentos ruins
que passamos juntos e você os matou.
As fotos ainda estão penduradas nas paredes.

Entra e sai de meus pensamentos,
ainda nos conhecemos.
Que bom que me encontrou
nas florestas escuras,
em meio às árvores silenciosas
no amanhecer de uma mente insegura.
Obrigado, realmente!

Meu coração ainda é um pouco inocente,
deveria ter dito quando não estava bem
às vezes não gostava de você.
Foi tanta insegurança:
vai ficar? Vai fugir? Vai me abraçar?
Vai fugir... Belo fim!

Não fiz o suficiente,
não demonstrei o suficiente,
(de dia. De noite.)
mas sobreviverei.
Está tudo acabado e irei esquecer.




Imagem:
Um Dia de Noite... Uma Noite de Dia (2001)
Técnica: Óleo sobre tela
37 x 54 cm
Criação: Gustavo Saba

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Infelizmente é verdade (pessoal)...




A Catedral



– Escute: são anjos gritando.
– Acalme-se: percebem você chorando.
Resta apenas espreguiçar-se afinal,
cuspindo sangue nos degraus da catedral.

– Respeite: ela nos salvará!
– Não: Cruzadas usou para matar.
Agora o máximo é retornar,
buscando novos escravos (fiéis!) para explorar.

– Pense: faça uma nova escolha.
– Por quê? dê-me uma. Proponha!
A máscara a tempos vem caindo,
como o chão daquele hotel antigo.
Apenas respire.

– Blasfemas: não rezarei por ti.
– Cristo: com meus pecados cresci.
Com a miséria tudo começa.
Estupro nos bancos da Igreja não apavora;
Inocentes são as mentes. Incinere-as agora!

– Escute: são demônios gritando.
– Acalme-se: percebem você sangrando.
Defenda-se dessa católica ignorância,
não inspire o enxofre de sua fragrância.


– Dizem: você é o mal.
– Digam: criticar é sexo mental. É bom!
Não vale o esforço esperar o Céu.
O certo é melhorar o Inferno cruel.

– Deus: você não é real...
– Eu: Platão que é surreal!
Com o cibório em meio as pernas, Padre?
Goze! Pra vocês isso é normal.
Apenas relaxe.



– Diabo: cadê o respeito?
– Espere: é reciproco.
Irmã, eu sei que sou bonitinho.
Quer pegar? Quer chupar? Quer sentir?
Apenas não grite.

– Abaixe: talvez você esteja certo.
– Sim: como as indulgências e a corrupção.
Pobre Jesus! Fez tanto e hoje é subjugado,
por um Papa de branco, cetro, sem camisinhas em mãos.

– Levante: realmente o melhor é questionar.
– Parabéns: comeu a razão.
Infelizmente, há muita decepção.
Não se assuste. Prepare seu coração.

– Rezarei: pedirei que a verdade apareça.
– Não sei não: talvez isso não aconteça.
Paciência! Um dia todos iremos cair.
Ou dormindo, ou gritando, ou esperando...
Alguém vai ligar e rir, rir, rir...

– Sim: temos que rir muito, muito!
– Exatamente: alguém virá nos buscar.
Da navalha até o rosário é um curto espaço.
Aqui estão os pregos! Cubra-me de gasolina.
Estamos condenados! Se precisar use um cadarço.

– Irmã, eu sei que sou bonitinho.
Quer pegar? Quer chupar? Quer sentir?
Goze! Goze! Ria! Ria! Apenas não grite.
Aliás, a piada pede um fim:
Alguém nos salve!
Alguém me salve!





Imagens ( respectivamente ):

A Catedral de Rouen
Criação: Claude Monet

Religiosa sem Igreja
Criação: Lena Gal / com poema de Rosa Leonor

No último instante...



O último dia



Em meu único coração distante
age um descontrole que insiste em viver
provocando uma dor pulsante
que me enaltece e me faz morrer.

Tal dor que engrandece e mata
é resultado de desejos reprimidos
que meu espírito guardou em uma casa
para se livrar dos cruéis sentidos.

Guardados, todos são violentados constantemente
por um mundo de horrendos sistemas
que tentam violar a casa – minha mente
para então o mal poder vencer.

Felizmente, tenho um último dia
em que de repente, do mais remoto suspiro,
quando novos desejos perseguia,
descobri uma forma de renascer.

O bem perdendo, meus antigos morrendo
para o mal por segundos viver
pois novos sonhos estão socorrendo
meu corpo que começa a falecer.




(...)

Quase podre, por muito pouco não vivi
no mundo dos vivos de sangue,
porque com toda razão persisti
para poder retornar ao globo cortante.

Os sentidos ainda insistem,
como uma chama ardente infinita,
mas meu distante possui um item
capaz de combater a vã imprimida.



(...)

Mesmo assim, parece não haver fim,
como uma disputa sagaz
em que é impossível dizer um sim
para buscar a tão sonhada paz.

Em um último dia, como meu coração
ainda e sempre age a insatisfação,
aflição da empobrecida razão.
Quando será que acabarão?

No more! O never more!





Imagens ( respectivamente ):

Skull and Cadlestick
Criação: Paul Cézanne

Jardim das delícias terrenas
Criação: Bosch

Um dia nesta cidade...



A cidade Maria




Vrum! Vrum! Vrum!
Itsit! Itsit! Rápido.
Tisti! Tisti! Parado.
Quer morrer garoto, atropelado?

Quanta velocidade pelas ruas
de um centro de zumbis em uma lamúria
que caminham aprisionados em armaduras,
quando não acorrentados em amargura.

Brem! Brem! Brem!
Sinos tocando sem ritmo,
Uiu! Uiu! Uiu!
Como a ambulância e o seu apito; cadê o fuzil?

Perde-se a chave, mas não o calor
que a multidão sem dor, além daquele frade
dão-me ao olhar com pudor.

Vrum! Vrum! Vrum!
Quer morrer sim garoto, atropelado como um porco.
– Sim! Mas como um cão,
de colarinho branco, charuto e quinhão,
estripado na face da população.

Venha! Mergulhe na ilusão,
como 10 centavos em minha mão,
livre! Vive! Brem!





Imagem:
Nos Confins da Cidade Muda (Homenagem a Man Ray) (1984)
Criação: Jorge Guinle Filho
Técnica: óleo sobre tela
190,5 x 260 cm

Na escola...



O momento



Quanta tristeza, quanto desespero
tanta irracionalidade, tanta ilusão.
Palavras não faladas, imaginadas,
que perturbam-me, caídas pelo chão.



Rodeado por sentimentos e emoções:
dor, raiva, amor, compaixão.
Como é difícil sentir, permitir, tamanha sensação.



Problemas, doenças, contradições
que inseridas no coração, dissimulam tantas ações.
Morte que persiste a cada instante,
vivendo confusa, pulsante.



Como é difícil viver e morrer intensamente
conduzindo meu ser, minha mente,
para uma condição, mais uma vez deprimente.







Imagens ( respectivamente ):
Quadro Amarelo (2005)

Quadro Azul (2005)

Quadro Cinza
(2005)

Criação: Antonio Netto

Técnica: Acrílica sobre tela

domingo, 28 de setembro de 2008

Ela persiste...



A invejosa


Enche nossos corações
de sentimentos obscuros,
de ilusões.
Não importando a quem
- tanto faz! -
aos amigos que tem.
Mas sim, a beleza
que finge ter
para viver
assim... com inveja, com tristeza.

E essa inveja
que destrói a tantos,
faz ela viver
- Eliza, não tenha espanto -
com promessas
que quando cumpridas,
algum dia,
neste dia,
vão desmoronar.

- Com inveja sim,
mas tristeza não;
deixe-me gastar
todos os meus sapatos de dança,
com meu vestido maldito - darling
o cabelo horrível.
Da miséria não estão livres,
estão todos perdidos!

Com seus olhos
vazios e manchados, fixados,
procuram absorver
nossos sonhos
no contorno da mente,
com mentiras
- não acredite, é tudo hipocrisia -

- Mas ninguém se importa,
com o que estou passando.
Brilho labial nas minhas veias injetando,
para o Paraíso alcançar,
pois absorver sonhos sem brilho
enlouquecida vou ficar.




Seus olhos mais uma vez beberam demais,
consumindo a loucura sagaz.
Suas mãos geladas dilaceram nosso coração,
com memórias que rasgam nossa carne
com dores, amores – que se renovarão.

- Me dê todas as pílulas.
Me dê todos os corações sem esperança,
fazendo-me doente como um anjo
que ao inferno cai para a vida. Para a dança.

Pelo desejo de Morte
toca nossos lábios com o beijo negro
matando com seu veneno, nosso coração traiçoeiro.

Sob o céu quebrado da cidade, persiste.
Matando como Diabo – ele, ela, aos poucos resiste.





Imagens ( respectivamente ):

Jaqueline
Criação: Picasso

Las Meninas
Criação: Picasso

Ela existe...



Olhos cravados



Na esquina suja,
com sapatos furados,
com cabelos desgrenhados.
Não entendia.

Na avenida conturbada,
de semblante triste,
vestes, trapos, sem grife.
Não entendia.

Na cidade pequena,
mulher de idade suprema,
sem amor, sem aroma de flor.
Não entendia.

No Estado de tradição,
falta-lhe cultura, razão,
não tem atenção, não tem opinião.
Não entendia.


No país da diversidade,
quantas dificuldades,
quanto menosprezo à sociedade.
Não entendia.

No mundo racional,
como há irracionalidade,
capitalismo, guerra, maldade.
Não entendia.

Olhos cravados, mãos calejadas.
Tanto esforço, tanto trabalho.
Vale ter fé, vale esperar.
Um dia tudo pode mudar.





Imagem:
Mulher Cão
Criação: Paulo Rego

oP... Op... oP...



Primeiras opções


Tire a maquiagem programada,
por seus pais, por sua sociedade capitalizada.
Tire sua luva rasgada,
pela bela ilusão da manhã estudada.
Tire seu sapato furado,
pelo som da aula adulterado.
Tire seu senso de razão pensado,
pois é perigoso. Eles o pegarão, será doloroso!

Coloque o coração humano,
forjado por um Deus inescrupuloso.
Coloque o cérebro racional,
não esquecendo o sentimento nacional.
Coloque em suas veias sangue frio,
gélido como o Destino na margem do rio.
Coloque então vida injetada,
para poder ser livre. Voar em meio ao nada!

Voe, voe, voe...
Sem pressa de um dia retornar
pois no mundo que estará,
o tempo não vive, nem ao menos resiste.
Somente a morte existe
destruindo-o aos poucos
– realmente! –
com odores, com sabores
que mostram-lhe a verdade
em meio as ninfas da realidade,
para enfim poder optar.

Tire o que quer! Coloque o que quer!
Viaje para todo o Sempre,
ou retorne, se puder.
Inúmeras escolhas que tendem a brotar
em cada Ter – basta Ser!
É só um início, ou será um fim?
Está livre para a prisão ou preso na liberdade
– na decepção? –

Ventos sopram, chuva cai
como vida perdida por tiros
que nas ruas sempre se desfaz.
– Cápsulas não há mais!? –
A solução é a dor escolher,
para poder entender
o que busco promover:
Opções.




Imagem:
La Pretre Marie ( 1961 )
Criação: René Magritte

Somos...



Um poeta



Ser imaginoso.

Que de sua tristeza gelada
faz brotar sonhos, verdades discriminadas.

Que de sua calorosa alma
recria a realidade,
buscando encontrar a felicidade.

Feliz é a palavra
que de sua mente sai,
procurando no papel um amor
que com o carbono se refaz,
atuando nos corações dos demais.

Que de sonhos silenciosos vive.
De criações surgidas persiste.
Como o Caos,
tudo pode destruir,
tudo pode construir,
desde rimas ricas
- o que é riqueza afinal? -
até livres ilusões vivas.

Vivendo com suas longas palavras perdidas,
seus sussurros lentos,
sem saber o que o mantém aqui.
Seria porque o mundo
não quer levar seu coração,
mente, inspiração, expiração,
deixando-o com seus sonhos
dizimados pela Razão,
a verdade dos homens,
Deuses da destruição?
Vivendo com medo da decepção,
gritando ruidosamente
por atenção, por perdão.

Atento ao som
das mais raras jóias
- as idéias -
companhias perfeitas
de sua existência periférica
que como o inferno
está em todo lugar:
na cama, no altar
em você
- por que não se acostumar? -
Atento ao caminho
que percorre constantemente
procurando não se afogar
em meio a tanta gente
que diferentemente,
implora pelas poças de sangue
dos mais nobres seres,
Simples e Carentes
que apenas querem viver
- ou ao menos tentar -
com dignidade freqüentemente.



No fim do mundo tenta alcançar
uma verdade desconhecida
que por meio de poemas
tenta expressar,
escritos ou falados
- o que importa, é eficaz! -
para seu leitor,
ouvinte ou redator,
que palavras
segredos podem revelar,
caindo a máscara da beleza fingida,
a mentira da Democracia vivida.
Poemas e palavras que caminham
em meio a sua alma
como pensamentos
que impulsionados pelo terror
- há pressa; não há calma -
querem morrer
e sonhar como os mortos,
com a vida que um dia
poderão ter
para enfim poder ocorrer
a perfeição que poucos tentam entender.
Próximo do fim
tenta retornar,
vale a pena? É possível tentar?
87 minutos tentando criar.
87 versos querendo formar.
87 palavras na escrita a chorar.
87 demônios tentando arruinar,
o que se pode chamar
de um poeta capaz
de dor e amor
perfectível tornar.






Imagens ( respectivamente ):

Ilustração de um poema
65 X 50 cm

Whirlpool of lovers (Illustration to Dante's Inferno)
Criação: William Blake

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Foi inevitável... Fui eu...




Eu, Morte


No chão frio busco vida
para então poder morrer,
pois vivendo de ilusões
em um mundo cego por cisões
- morte venha me buscar -
vale a pena
o Fim conhecer.

Todos morreremos.
Indo para o inferno das delícias,
indo para o inferno dos castigos
deixando a vida sangrando
- chorando, gritando -
por nos perder.
Jovens e velhos,
ricos e pobres,
de espírito, de fome,
- de justiça! -
não tendo escolha,
sem nada a fazer.

Morro aos poucos perplexo,
com saudade,
de um mundo destruído
pela natureza dos homens,
- que tristeza -
corrompida pela ganância,
pelo desejo,
que matou a tantos
e me faz morrer.

No mesmo chão,
tento a Imortalidade
- lembranças, passado -
arrastado
como um animal fugitivo,
sendo caçado, temido
- morte venha me buscar -
para então a história poder contar
que mais uma vítima fui,
do sistema de capital e exploração,
que ilude até a minha amada nação.


Como é difícil poder ser livre,
voar para escuridão,
com carmesim em meio ao corpo,
- nos lábios, em minhas mãos -
tendo como crime
a busca pela verdade, pela razão,
em um plano onde só existe injustiça
e corrupção,
com o meu Ser,
o seu Ser.
Temos que agir,
temos que fazer.
Abrir os olhos e ver.

Oh! Deus, por que se ausenta?
Me deixando padecer
sem recompensa,
de ao menos o Início reencontrar.
Ao menos responda
a tantos chamados,
da vida que ao meu lado
- ao seu lado -
tenta se recuperar,
para amanhã poder trabalhar
- e até se escravizar -

Não posso me acalmar,
permitir que o Eu gótico
seja mais uma noite perdido
- morte venha me buscar -
pelas aparências que nos cercam
- você está corrompido -
que mais uma vez querem ganhar,
minha alma, para o destino
em que tudo vai acabar,
sem retornar,
sem uma nova chance
de tentar.

A morte aproxima-se,
negra como a África
que sofre tanto preconceito
e é, e foi, tão explorada.
Negra como o petróleo
que aos poucos se acaba
dando chance a novos conflitos,
- preserve a água -
Negra como meu coração,
que por mais pobres
que sejam as rimas exprimidas,
não sabe o que é
o verdadeiro amor,
mas através de críticas poéticas
imprime no papel
o que eu realmente sou.
Eu, Morte.




Imagem:

Nature morte à l'antique
Criação: Francisco Boris

Uma pessoa especial...



Rosa e Negro

Morango podre? Não!
Talvez mais um mortal
triste em meio ao caos
de viver sem morte:
mate os preconceitos, os inimigos!
Você pode!
Viva para si em plenitude,
Sem exceção de atitudes.
Seja normalmente bela,
não será difícil, você é esperta.
Linda como a morte
que faz a vida florescer,
um tanto sem sorte,
pois poucos conseguem entender.
Apenas sorria.




Imagem:
Mulher com livro ( 1932 )
Criação: Pablo Picasso

Foi desejado... Por vezes é desejado...



Enterrem-me de preto


– Na noite escura,
chuvosa em uma rua
monstros em sintonia
despedaçam meu coração.

– Morro então,
feito um pobre cão
que viveu intensamente na solidão.

Morre então,
um filho amoroso
que de tanto carinho, tanto estima
não suportava mais viver.

Em sua casa avisam,
seus pais ficam depressivos
procurando uma forma de compreender.

A cidade mobilizada
surpreende-se, mas logo esquece
como se tudo, feito política tivesse
ocorrido por ocorrer.

– Aos amigos não há nada a dizer,
vícios compartilhados já não persistem,
apenas saudades tendem a enriquecer.

– Para o caminho da vida
aproximando-me estou,
deixando as mentiras caídas
como papéis pelo chão.





No quarto por sorte encontram,
seus pedidos de morte em um canto
como se tudo fosse para acontecer.

O garoto morto, de preto enterrado queria ser
sem tristeza ou alegria,
sem a ousadia de lágrimas sobre ele
derramar ao anoitecer.

Muitos ao funeral deslocavam-se
para ver o que policiais afirmavam ser
um rosto impossível de reconhecer.

Sua face, como seu coração, foi toda rasgada
servindo aos vermes como alimento,
no período que ficou suportando o sofrimento
de ninguém mais poder ver.

– Não se assustem com minha face
ou meus lábios deteriorados,
horrores melhores estão aprisionados.

A família inicia a despedida,
com o caixão parecendo flutuar
para o abismo dos imortais,
em que os sonhos jamais serão reais.

– Livre agora estou,
podendo na escuridão morar
com os amores que me restou.

(...)


Passam-se os dias
e sua mãe não consegue melhorar,
angustiada, tentando descobrir quem foi capaz
de seu filho poder roubar.

– Terei que para casa voltar
para a minha mãe informar
que a morte não é o que parece ser.

Retornando encontra a mãe desolada
e diz-lhe que os assassinos de sua criança tão amada
continuarão sempre a matar,
pois é difícil lutar contra quem tem a guerra a privar.

Sua mãe sonhando entendeu
e até seus últimos dias esperou,
mas seu filho jamais reencontrou.

Ao retornar, acabou por perder o caminho
e jamais a morte viva poder deliciar,
somente vagar pelos mundos
tentando morrer intensamente a gritar.

Não valorizou a vida oferecida pela morte
padecendo mais uma vez sem sorte
como um anjo que asas não pode ter.





Imagens ( respectivamente ):

La Persistencia del Pintor
Criação: Marti Carbonell
Técnica: Óleo sobre tela

Vida e morte
Criação: Gustav Klimt

Em um aniversário especial...



A Festa!


Dancem. Movam-se. Matem
a louca jaula que os cercam,
como cristais da coroa
de uma rainha um tanto louca.
– Faz sentido? –
Ao menos ela é livre.
Quebrem. Queimem. Matem-se!
A rainha quebrou o pé?
Não. É só uma gravata negra aos seus pés.
Dance! Morra!? Viva então.






Imagem:
Alegria de viver
Criação: Matisse

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Eu... Você... Em um ...



Estou...


Triste...
Pois por maior que seja minha vontade de chorar,
meus olhos não derramam sequer uma lágrima.

Desesperado...
Porque tamanha vontade de gritar,
cala-se em meio aos meus lábios encarcerados.

Sozinho...
Por mais que esteja rodeado de amigos,
sinto como se estivesse em um abismo profundo.

Com ódio...
De todos aqueles injustos e corruptos
que me fazem viver em uma eterna ilusão.

Frio...
Não consigo amar quem me deu a “vida”!
Como posso viver?

Confuso...
Quantos elogios, quantos beijos, quanto carinho.
Não sou merecedor, ninguém é!





Com medo...
Anjos afugentam-se com minha presença.
Mil sombras parecem chamar-me, venerar-me.

Sonhando...





Imagem:
Medo
Criação: Clarice Lispector
Técnica: Óleo sobre tela

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Em um momento somos...



O moço


Sentado, parece esperar por um chamado
que durante muito tempo tem esperado
para a vida poder romper.

Drogas, aos instantes tem exalado
pessoas aos montes maltratado
mas nada, nada, parece resolver.

Desesperado, da ponte pensa em atirar-se
cortar os pulsos em meio à cidade,
entretanto, ninguém iria perceber.


A família matar? A namorada afogar?
E a saudade, como iria suportar?
Em mais um dia, de ilusões alimentado fica a pensar:
– Morte, resolva meu problema
em um mundo cheio de problemas, dilemas
eu não suporto mais viver.

Finalmente, em mais um dia fúnebre
a morte trabalhou, despertou
e o moço, calado, muito cansado
em meio ao ar evaporou.

E mais um retornou.






Imagem:
O moço tímido
Criação: Inos Corrandin
Técnica: Óleo sobre tela
Tamanho: 70 x 50 cm

Alguém não muito distante...


Inocente


De corpo frágil e juvenil,
parece encantar quem está ao seu redor.
Com seu hálito doce e agradável,
seduz o mais puro dos seres.

De face viva e delicada,
merece a mais pura das molduras.
Com seus lábios macios,
proporciona o mais saboroso dos beijos.

De olhos penetrantes e misteriosos,
observa o infinito das almas.
Com suas mãos lindas de gestos sutis,
dança pelos corpos apaixonados.

De silêncio inocente, atraente,
torna-se vivo entre dois.
Vivo... Inocente...






Imagem:
INOCÊNCIA
Técnica: Óleo sobre tela
Criação: Cão Yong
Tamanho: 60 x 80 cm

Depende de cada um...



O sonho do povo



Sonho vem, sonho vem
da mente do povo
na noite dormida
de um dia cansado.

Será que já nasceu,
ou estará já morrendo?
O sonho que o povo
ama tanto.

Sonho vem, sonho vem
com ilusão e verdade
da nossa triste realidade
de um dia mudar.

Que sonho
vive enjaulado
nesse povo tão desanimado?


Será o fim da corrupção,
com igualdade, liberdade, fraternidade
iluminando pessoas,
pessoas para a felicidade,
feliz justiça que abre os olhos
para seus filhos,
grande divindade!

Sonho vem, sonho vem
acordando mais uma vez
com esperança de realizar
talvez o sonho pensado, idealizado.

Esperar,
vamos nos acomodar
é só sonho.

Não
– isso é sonhar acordado –
esperando do nada o improvável.
Começar é mudar,
sonho de realizar
para um dia melhorar.

Sonho, sonho... de um povo.






Imagem:
O Sonho, de Picasso.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Será? Pensar?



Aglomerado




Seres ricos em pobreza,
impacientes com tamanha injustiça,
que causa tanta tristeza,
nas favelas bastardas da nobreza.
Oh! Deus, por que tanta diferença?
Num universo de infinita beleza,
onde poucos compreendem a sabedoria suprema,
pois no aglomerado da ignorância
falta inteligência, clareza...
da República Monárquica brasileira.


Quanta fartura de doenças e pragas,
de vícios, drogas, pessoas maltratadas
por uma sociedade tão igualitária!
Quanta ironia sem classe,
De um povo que vive na mentira, na “lavagem”.


Que realidade! São tantas incertezas.
Uns no aglomerado da miséria, da riqueza,
outros da ignorância, da esperteza.
Não de uma única nação, de várias
transmissoras de tantos males, que prepotência!
Oh! Deus, por que tanta diferença?
Cadê nossa sociedade, nossa fortaleza!
Fazemos parte dela, quanta incompetência,
manipulação mal feita, pelo bem de poucos,
aglomerando-nos aos poucos, com certeza.






Imagem:
Morro da Favela — 1924
óleo/tela 64 X 76cm
Assin:"Tarsila 1924"
Col. João Estéfano, SP

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Passou...



A lua vermelha




Em meio ao céu escuro,
está lá uma lua vermelha,
que com sua esplêndida beleza
destaca-se em meio aos demais.

Com sua exótica aparência,
aquece o coração dos enamorados,
das virgens, os rostos expressados,
faz aquecer com a paixão.

Para o perverso, o inimigo,
faz padecer com o castigo,
iluminado, tão transpassado
pela luz do seu luar.

Será o fim? É diferente.
Uma lua, uma noite, tão envolvente
em um recíproco olhar
parece tudo acabar.

Com o fim, tudo pode reiniciar.

domingo, 21 de setembro de 2008

Ainda...



Hoje Índio


Sobre a origem viva e pura
retornam mais uma vez incrédulos,
famintos de compreensão,
sujos e mascarados pela história.
Em meio a balaios e palha e grama e terra...
Sujeitos ao esquecimento, preconceito...
Destinados ao que puder, tiver, receber...



De faces tristemente clamando por liberdade
de viver, de sorrir, de “ser”.
Criando sonhos de presenciar, interagir
num mundo de criar, melhorar.

Sobre si próprios retornam mais uma vez
famintos de esperança...
Famintos hoje.









Imagem:
A visão do cacique.
Técnica: Guache sobre papel.
Tamanho: 50cm x 45cm.