
Blue Lovers.
Criação: Marc Chagall.
Poemas, poemas, poemas... Vozes, Sussurros... Da mente, do obscuro... Que tendem a brotar. E por que nao TRANSFORMAR? Que subam as cortinas!

Mariana por vezes é Maria,
por vezes é Ana.
Mas afinal, quem é você Mariana?
Com a família não dá mais,
com os amigos também não, não há....
A quem recorrer? Correr. Correr.
Entendo Mariana... Mas quem é você?
Você (?!)
Ana. Impetuosa, em momentos rude.
Ela sabe o que quer, o como fazer,
Sabe que é com humanos bestializados
que por vezes tem que conviver.
É a vida Ana... Ana... Ana... Manda
como ninguém; com ela tudo flui
seja pelo seu punho ou por um “Já!” nada cordial.
Os meninos temem Ana, as meninas mais ainda
menos aquela que dizem ser tão estranha
tão, tão estranha quanto você.
Veja os olhares dela pra ti... Tão profundos,
parecendo querer algo que pra alguns seria muito obscuro,
mas que,sinceramente, não é. Apenas “é”.
Até parece aquele meu vizinho
que era um tanto direto... Nada correto... Mas foi tão bom.
12 e 26, boas idades não?
Ana, por que não se entregar?
Por que não?
Você viu? Ele caiu.
(Bonequinho de algodão)
Mariana por vezes é Maria,
por vezes é Ana.
Mas afinal, quem é você Mariana?
Com a Família não dá mais,
com os amigos também não, não há....
A quem recorrer? Correr. Correr.
Entendo Mariana... Mas quem é você?
Você (?!)
- Quando faz frio quero ser África,
quando pra fazer não há nada
quero ser uma ilusão.
Tento ser tanta coisa por eles... Eles.
Mas e depois o que farão?
Seria melhor sumir, deixando tudo pra trás
sem dar importância a ninguém mais.
Podendo correr de cachecol no Pantanal
com ela e fazer sexo O...
Bem, você sabe afinal.
Quando chove quero ser a escuridão
Mariana por vezes é Maria,
por vezes é Ana.
Mas afinal, quem é você Mariana?
Com a Família não dá mais,
com os amigos também não, não há....
A quem recorrer? Correr. Correr.
Entendo Mariana... Mas quem é você?
Você (?!)
Na verdade Mariana quer ser João.
Penso então sobre isto, vivo isto
e tantas, várias outras coisas
que dão maior vontade de Ser.
E estamos a sonhar.
Em um belo instante a sonhar.
Sonhando com Você, com o Hoje.
E estamos a sonhar.
Em um belo instante a sonhar.
Sonhando com Você, com o Hoje.
Você é um sonho... Estou a sonhar.
E estamos a sonhar.
Em um belo instante a sonhar.
Sonhando com Você, com o Hoje.
Você é um sonho... Estou a sonhar.
Eu estou a sonhar...

Deitado agora e vendo as nuvens lá fora
recordo do que sentia quando tinha que ir embora,
que não entendia “como podia estar assim”
um completo bobo, louco, feliz. Enfim:
acreditava que era o meu amor.
Sei que meu foi apenas por um tempo
ainda era de outro, pensava em outro
(É. Pensa.)
e isso doeu muito, dói ter certa sensação.
Podemos ser amigos então?
(Não sei o que fazer com essas cortinas)
Lembranças, lembranças...
De quando estávamos juntos
mesmo estando “perto”, não estava em mim.
Lembranças, lembranças...
De tantos pensamentos mudos
que nem ao menos cogitou que eu pudesse ter.
(Como seria bom se parassem)
E todas as pequenas coisas que fizemos
como os carinhos que por vezes eram recíprocos,
as brigas e discussões, sérias, bobas
os meus e os seus péssimos equívocos,
todas essas pequenas coisas não perder-se-ão;
algumas magoam-me ainda, dói ter certa sensação.
Mas vai passar... Liberte-me.
Isto é o fim?
(Parecem ter tanta vida ao balançar)
Sei...
Nada é pra sempre...
Pessimismo meu, drama meu.
Mas se fosse, escolheria o pra sempre com você.
Só com você.
Sei...
Temos que escolhas fazer.
E a minha você sabe,
sabe que meu amor é seu.
Longe? Por quê?
Tenho tanto pra te dar,
como meus versos nesse amanhecer
em que escrevo com tanta esperança
de logo voltar a viver.
Viver realmente...
Está sempre em minha mente,
aonde quer que você vá.
Por que me sinto assim?
(Longe... Perto...
Não sei?
Que vontade de te beijar,
que desejo de te tocar,
que vazio grande há em meu peito,
que pensamentos confusos estão a habitar
eu. Você?
Isso tem que acabar.
Isso tem que acabar.
Isso tem que acabar?
O quê?
E se você me beijasse agora,
se você me tocasse como antes,
se preenchesse esse vazio provocado,
- Por quem? Por quê? -
se esses pensamentos morressem
Eu não sei o que fazer.
Eu não sei o que fazer.
Eu não sei o que fazer?
O quê?
Afinal, o que se tem?
Tantas perguntas, tantas dúvidas há.
Há? Diga-me você, porque eu pouco sei,
pouco sei do que escrevo, mas queria saber,
saber das certezas, alguma há de ter.
Não é? Não é?

Às vezes penso saber tudo,
e não querer ver, compreender.
Será?
Será que falta o que, pra ter esse vazio?
- Retorno outra vez –
Pareço sempre retornar
precisando de você.
O que é o precisar?
É estar? É ter? É amar?
Acho que amar... Como amo você, como amo você...
Como... Como?
Creio precisar de alguém,
preciso conversar.
Quero viver e amar.
Querer? Não sei.



... E nos momentos de prazer
éramos um só:
eu todo pra você, você pra mim.
Enquanto nos outros, os poucos que havia
é como se nada, nada existisse.
Mas as coisas, depois de um tempo,
não continuaram assim.
E quem chorou, quem sofreu
foi alguém que queria apenas o seu amor.
E quem tentou resistir, aceitar
foi alguém que desejava um pouco de atenção.
E então, um perfurante “Não”
que irrompeu pelos meus sentidos...
“Você não é um velho, é tão jovem,
outro seus sentimentos encontrarão.”
Mas mesmo assim, não consigo muito entender
como acabar com tudo que se sente,
como acabar com tudo que se acredita?
“Vamos tentar só mais uma vez,
eu ainda amo você.”
Ás vezes penso: eu te amei? Você me amou?
Desesperado, caído no chão daquele quarto
em que fomos tão felizes (eu fui) fiquei
querendo você, querendo você, querendo prazer.
Talvez esse foi o erro: apenas prazer.
Mas de quem é a culpa
disso e dessa realidade confusa?
Não sei. Cansei.
Por quê? Por que tinha que ser dessa forma?
Um romance de tanta intensidade,
mas que acabou, acabou.
E quem perdeu, quem mais uma vez morreu
fui eu. Eu.
Imagem:
Amantes ao luar
Criação: Marc Chagall
A Dança

Por que você tinha que aparecer?
Ainda tinha amigos sem você.
Depois... Depois... Esquecer.
Bela foi a união.
Vermelho e negro
como o meu coração.
Paixão e rancor intensamente
que habitavam meu corpo e minha mente
despertando em mim tanta emoção.
Mas também fazendo nascer um medo
que era pior que a da primeira penetração.
O nosso casamento de sangue não deu certo.
Quem sangrou fui eu
e você apenas olhou.
Você a excitação. Eu a dor.
E o que eu pensava ser amor
era vício que me afundou
em um terrível, maldito breu,
fazendo um desejo de morte ficar de mim muito perto.
Por que você tinha que aparecer?
Ainda tinha sonhos sem você.
Depois... Depois... Perder.
Então o previsto aconteceu.
Destino? Fatalidade? Não sei.
Sei apenas que prazer maior sentiu
minha alma ao fatiar seu corpo,
deixando-me um pouco tonto,
lembrando tudo o que você mentiu.
E eu um desejo novo criei
em que o dançar sobre seu sangue permaneceu.
Por que você tinha que aparecer?
Ainda havia humanidade sem você.
Depois... Depois... Prazer.
Imagem:
Endless Love
Criação: Alfred Gockel
Adultos frustrados... (verdade?)
Adultos frustrados... (futuro?)
Adultos frustrados... (nossa realidade?)
Você entende o que quero dizer?
Aquecimento pelo globo azul,
chuva ácida na pele cinzenta,
doenças e pragas a estudar...
É tão lindo!
Favelas? Política corrupta?
(Melhor não relatar agora, podem escutar.)
Vivemos em um grande circo de idiotas,
faturando ignorância e muita dor...
É tão lindo!
- Vocês não são únicos! Sintam-se bem!
O FUTURO... O FUTURO É PROMISSOR.
- Mother, quebrei a unha, fui despedida...
Quero voltar pra casa, estou na rua desesperada.
E tudo, TUDO está tão "bem”.
Encontramo-nos em tamanha desgraça.
(Pessimismo? Realismo?
Opte pelo que desejar.)
Alguém quer gritar? Alguém pode gritar?
- Querida, quer alguns dólares
comprar seu namorado e ser feliz?
CUIDADO!
A entrada para o inferno
está cheia de boas intenções.
... Morremos cobertos de sangue. (abrem-se os portões)
(- Fila indiana por favor.
O enxofre é restaurador.)




As pessoas caminham, caminham, caminham...
E elas respiram, respiram, respiram...
Algumas são velhas, velhas, velhas...
Outras são verdadeiras sinfonias, sinfonias, sinfonias...
E estão todas vestidas, vestidas, vestidas...
As mais lindas estão de negro, negro, negro...
Todas sob o mesmo finito céu, céu, céu...
Teremos mais um fim banal?
Fico a esperar, esperar, esperar...
... cinza e azul... Ele chegará?
Creio que não.
Imagem:
O eco do vazio
Criação: Salvador Dalí

Não sangre! Eu sangro...
Respire! Eu vivo...
Não há sentido, tudo vai melhorar
(como sempre)
e então eu poderei enfim imaginar
que você realmente retornou,
das infames sensações, dos tristes infelizes
que em momentos matou,
a tantos e a mim.
Pare toda e qualquer dor.
Reveja os erros como um inocente
sem temer palavras inconseqüentes
que talvez tenha que merecer.
Seja feliz com seu amado ser,
não o tornando mais frio, confuso, sombrio
pois ele também no fundo ama você.
Isso temos que entender. Tenho que entender.
Não vire para o horror. Prometa!
Não tente esconder o seu amor. Prometa!
Apenas seja o que verdadeiramente é
fazendo-me feliz.
Sou seu eterno aprendiz.
Imagem:
O Aniversário
Criação: Marc Chagall



Não se perca na prescrição de vôos fracos,
tendo uma visão cega do que é real.
Essa é a última noite que minto.
Posso deitar ao seu lado?
Como gostaria de apreender seu nome e até você,
esperando que queira fazer o mesmo,
por que não morrer?
Estou sendo trágico! Não é espanto.
Meu vôo fraco cômico.
Eu ainda insisto:
posso deitar ao seu lado?
Pense em tudo que poderia encontrar.
As luzes que ainda caminham em par
em ti, em todos nós,
querendo urgentemente
uma vida estéril do falso amor.
Imagine tudo que poderia ser;
gostaria que roubasse o tempo para me reparar.
A culpa não é sua por eu ser assim,
chutar folhas que vejo no maldito jardim,
dançando numa árvore,
querendo picadas no veludo sem fim.
(Eu já quis. Desisti! Você sabe.)
Eu não culpo você.
Posso deitar ao seu lado?
Talvez isso não irá ajudar,
então ria daquele ridículo altar.
Aleluia! Cinzas! Aleluia!
Cadê as pílulas e as agulhas?
As viagens vão te matar!
Não permita.
Sentirei sua falta, sentirei muito sua falta
e a ausência do choque do seu beijo
torna isso tão difícil.
Não é simples alguém querer.
Você conseguiu o que mereceu?
Seria mais uma santa ironia se eu dissesse...
Posso deitar com você?
Indo abaixo.
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Prometa!
Tremo em pensar que poderá ser infeliz,
padecendo pelos outros e sendo infeliz.
Sendo infeliz e longe de mim,
pois se ao menos estivesse perto, concreto
dar-lhe-ia meu carinho
de palavras e sutis gestos
que o infinito de meu íntimo,
assim como o fim do mundo,
que a paz silenciosa não pode encontrar
e jamais irá desfrutar,
nunca irá negar. Pra você! Por você!
Prometa não ser infeliz.
Não haverá fim.
De você não desistirei,
pois finalmente sou eu mesmo
não mais chorando pelo medo de fazer acontecer,
mas sim vivo por você poder ver
muitas vezes seu ser querer,
para conversar, para o amor usar.
(Sinto-me bem!)
Nada posso reprimir (lamento)
sua presença ainda persiste em mim
não me deixando sozinho
(tudo é real!)
sabendo que apenas o tempo não poderá apagar,
eu não iria suportar.
Não é obsessão, só não canso de escutar,
sua voz de seus lindos lábios sussurrar
palavras, simples palavras
que aquecem o meu coração.
Mente e espírito renovar-se-ão.
Tudo. Gostaria de ter você.
Acalme-se. Seu rosto freqüenta meus sonhos mais alegres
fazendo-me como ave que à noite mergulha no seio do mistério,
perdendo minha alma num infindo amor.
Sim! Um anjo quer adormecer.
Imagem:
The Garden in Flower (1900)
Criação: Claude Monet
Talvez venha uma das amadas criaturas
que me provocam sensações. Fortes e intensas.
Incansáveis e indefesas. Talvez as lindas alucinações.
Por que não? O banho está tão bom!
Ah! Uma aranha tarada fica a olhar: um corpo sujo e nu.
Quer despencar! Parece querer devorar
mais uma presa, tentando pular
e cair em um lugar para muitos comum.
O banho está tão bom!
Mas tudo tem que acabar.
Espere! Alguém acabou de chegar.
(...)
Que pena. É só um bêbado, mais um que caiu.
Ainda assim:
Nada melhor que um banho frio.
Imagem:
Banho em Asnières
Criação: Georges Seurat



As faces reprimem o formidável
a termométrica com qualidades e sentidos.
Metade de liberdade dos signos,
basta na oscilação de ser responsável.
Em área de país confuso
resta a arte como via universal,
de componentes perdidas – um parafuso
morrendo de relâmpagos por via oral.
Será agressividade, rejeição?
Não! Filosofia física da razão.
E o equilíbrio de associação?
Não é nada. É o Dada da impressão.
Ão! Ão! Ão!
Imagem:
Aquis submersus (1919)
Criação: Max Ernst

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– Escute: são anjos gritando.
– Acalme-se: percebem você chorando.
Resta apenas espreguiçar-se afinal,
cuspindo sangue nos degraus da catedral.
– Respeite: ela nos salvará!
– Não: Cruzadas usou para matar.
Agora o máximo é retornar,
buscando novos escravos (fiéis!) para explorar.
– Pense: faça uma nova escolha.
– Por quê? dê-me uma. Proponha!
A máscara a tempos vem caindo,
como o chão daquele hotel antigo.
Apenas respire.
– Blasfemas: não rezarei por ti.
– Cristo: com meus pecados cresci.
Com a miséria tudo começa.
Estupro nos bancos da Igreja não apavora;
Inocentes são as mentes. Incinere-as agora!
– Escute: são demônios gritando.
– Acalme-se: percebem você sangrando.
Defenda-se dessa católica ignorância,
não inspire o enxofre de sua fragrância.



(...)
Mesmo assim, parece não haver fim,
como uma disputa sagaz
em que é impossível dizer um sim
para buscar a tão sonhada paz.
Em um último dia, como meu coração
ainda e sempre age a insatisfação,
aflição da empobrecida razão.
Quando será que acabarão?
No more! O never more!
Imagens ( respectivamente ):
Skull and Cadlestick
Criação: Paul Cézanne
Jardim das delícias terrenas
Criação: Bosch


Rodeado por sentimentos e emoções:
dor, raiva, amor, compaixão.
Como é difícil sentir, permitir, tamanha sensação.

Problemas, doenças, contradições
que inseridas no coração, dissimulam tantas ações.
Morte que persiste a cada instante,
vivendo confusa, pulsante.
Como é difícil viver e morrer intensamente
conduzindo meu ser, minha mente,
para uma condição, mais uma vez deprimente.
Imagens ( respectivamente ):
Quadro Amarelo (2005)
Quadro Azul (2005)
Quadro Cinza (2005)
Criação: Antonio Netto
Técnica: Acrílica sobre tela
Enche nossos corações
de sentimentos obscuros,
de ilusões.
Não importando a quem
- tanto faz! -
aos amigos que tem.
Mas sim, a beleza
que finge ter
para viver
assim... com inveja, com tristeza.
E essa inveja
que destrói a tantos,
faz ela viver
- Eliza, não tenha espanto -
com promessas
que quando cumpridas,
algum dia,
neste dia,
vão desmoronar.
- Com inveja sim,
mas tristeza não;
deixe-me gastar
todos os meus sapatos de dança,
com meu vestido maldito - darling
o cabelo horrível.
Da miséria não estão livres,
estão todos perdidos!
Com seus olhos
vazios e manchados, fixados,
procuram absorver
nossos sonhos
no contorno da mente,
com mentiras
- não acredite, é tudo hipocrisia -
- Mas ninguém se importa,
com o que estou passando.
Brilho labial nas minhas veias injetando,
para o Paraíso alcançar,
pois absorver sonhos sem brilho
enlouquecida vou ficar.
Seus olhos mais uma vez beberam demais,
consumindo a loucura sagaz.
Suas mãos geladas dilaceram nosso coração,
com memórias que rasgam nossa carne
com dores, amores – que se renovarão.
- Me dê todas as pílulas.
Me dê todos os corações sem esperança,
fazendo-me doente como um anjo
que ao inferno cai para a vida. Para a dança.
Pelo desejo de Morte
toca nossos lábios com o beijo negro
matando com seu veneno, nosso coração traiçoeiro.
Sob o céu quebrado da cidade, persiste.
Matando como Diabo – ele, ela, aos poucos resiste.
Imagens ( respectivamente ):
Jaqueline
Criação: Picasso
Las Meninas
Criação: Picasso

No país da diversidade,
quantas dificuldades,
quanto menosprezo à sociedade.
Não entendia.
No mundo racional,
como há irracionalidade,
capitalismo, guerra, maldade.
Não entendia.
Olhos cravados, mãos calejadas.
Tanto esforço, tanto trabalho.
Vale ter fé, vale esperar.
Um dia tudo pode mudar.
Imagem:
Mulher Cão
Criação: Paulo Rego

Vivendo com suas longas palavras perdidas,
seus sussurros lentos,
sem saber o que o mantém aqui.
Seria porque o mundo
não quer levar seu coração,
mente, inspiração, expiração,
deixando-o com seus sonhos
dizimados pela Razão,
a verdade dos homens,
Deuses da destruição?
Vivendo com medo da decepção,
gritando ruidosamente
por atenção, por perdão.
Atento ao som
das mais raras jóias
- as idéias -
companhias perfeitas
de sua existência periférica
que como o inferno
está em todo lugar:
na cama, no altar
em você
- por que não se acostumar? -
Atento ao caminho
que percorre constantemente
procurando não se afogar
em meio a tanta gente
que diferentemente,
implora pelas poças de sangue
dos mais nobres seres,
Simples e Carentes
que apenas querem viver
- ou ao menos tentar -
com dignidade freqüentemente.

No fim do mundo tenta alcançar
uma verdade desconhecida
que por meio de poemas
tenta expressar,
escritos ou falados
- o que importa, é eficaz! -
para seu leitor,
ouvinte ou redator,
que palavras
segredos podem revelar,
caindo a máscara da beleza fingida,
a mentira da Democracia vivida.
Poemas e palavras que caminham
em meio a sua alma
como pensamentos
que impulsionados pelo terror
- há pressa; não há calma -
querem morrer
e sonhar como os mortos,
com a vida que um dia
poderão ter
para enfim poder ocorrer
a perfeição que poucos tentam entender.
Próximo do fim
tenta retornar,
vale a pena? É possível tentar?
87 minutos tentando criar.
87 versos querendo formar.
87 palavras na escrita a chorar.
87 demônios tentando arruinar,
o que se pode chamar
de um poeta capaz
de dor e amor
perfectível tornar.
Imagens ( respectivamente ):
Ilustração de um poema
65 X 50 cm
Whirlpool of lovers (Illustration to Dante's Inferno)
Criação: William Blake


Morango podre? Não!
Talvez mais um mortal
triste em meio ao caos
de viver sem morte:
mate os preconceitos, os inimigos!
Você pode!
Viva para si em plenitude,
Sem exceção de atitudes.
Seja normalmente bela,
não será difícil, você é esperta.
Linda como a morte
que faz a vida florescer,
um tanto sem sorte,
pois poucos conseguem entender.
Apenas sorria.
Imagem:
Mulher com livro ( 1932 )
Criação: Pablo Picasso

No quarto por sorte encontram,
seus pedidos de morte em um canto
como se tudo fosse para acontecer.
O garoto morto, de preto enterrado queria ser
sem tristeza ou alegria,
sem a ousadia de lágrimas sobre ele
derramar ao anoitecer.
Muitos ao funeral deslocavam-se
para ver o que policiais afirmavam ser
um rosto impossível de reconhecer.
Sua face, como seu coração, foi toda rasgada
servindo aos vermes como alimento,
no período que ficou suportando o sofrimento
de ninguém mais poder ver.
– Não se assustem com minha face
ou meus lábios deteriorados,
horrores melhores estão aprisionados.
A família inicia a despedida,
com o caixão parecendo flutuar
para o abismo dos imortais,
em que os sonhos jamais serão reais.
– Livre agora estou,
podendo na escuridão morar
com os amores que me restou.
(...)

Passam-se os dias
e sua mãe não consegue melhorar,
angustiada, tentando descobrir quem foi capaz
de seu filho poder roubar.
– Terei que para casa voltar
para a minha mãe informar
que a morte não é o que parece ser.
Retornando encontra a mãe desolada
e diz-lhe que os assassinos de sua criança tão amada
continuarão sempre a matar,
pois é difícil lutar contra quem tem a guerra a privar.
Sua mãe sonhando entendeu
e até seus últimos dias esperou,
mas seu filho jamais reencontrou.
Ao retornar, acabou por perder o caminho
e jamais a morte viva poder deliciar,
somente vagar pelos mundos
tentando morrer intensamente a gritar.
Não valorizou a vida oferecida pela morte
padecendo mais uma vez sem sorte
como um anjo que asas não pode ter.
Imagens ( respectivamente ):
La Persistencia del Pintor
Criação: Marti Carbonell
Técnica: Óleo sobre tela
Vida e morte
Criação: Gustav Klimt
Dancem. Movam-se. Matem
a louca jaula que os cercam,
como cristais da coroa
de uma rainha um tanto louca.
– Faz sentido? –
Ao menos ela é livre.
Quebrem. Queimem. Matem-se!
A rainha quebrou o pé?
Não. É só uma gravata negra aos seus pés.
Dance! Morra!? Viva então.

Com medo...
Anjos afugentam-se com minha presença.
Mil sombras parecem chamar-me, venerar-me.
Sonhando...
Imagem:
Medo
Criação: Clarice Lispector
Técnica: Óleo sobre tela

A família matar? A namorada afogar?
E a saudade, como iria suportar?
Em mais um dia, de ilusões alimentado fica a pensar:
– Morte, resolva meu problema
em um mundo cheio de problemas, dilemas
eu não suporto mais viver.
Finalmente, em mais um dia fúnebre
a morte trabalhou, despertou
e o moço, calado, muito cansado
em meio ao ar evaporou.
E mais um retornou.
Imagem:
O moço tímido
Criação: Inos Corrandin
Técnica: Óleo sobre tela
Tamanho: 70 x 50 cm


Será o fim da corrupção,
com igualdade, liberdade, fraternidade
iluminando pessoas,
pessoas para a felicidade,
feliz justiça que abre os olhos
para seus filhos,
grande divindade!
Sonho vem, sonho vem
acordando mais uma vez
com esperança de realizar
talvez o sonho pensado, idealizado.
Esperar,
vamos nos acomodar
é só sonho.
Não
– isso é sonhar acordado –
esperando do nada o improvável.
Começar é mudar,
sonho de realizar
para um dia melhorar.
Sonho, sonho... de um povo.
Imagem:


Em meio ao céu escuro,
está lá uma lua vermelha,
que com sua esplêndida beleza
destaca-se em meio aos demais.
Com sua exótica aparência,
aquece o coração dos enamorados,
das virgens, os rostos expressados,
faz aquecer com a paixão.
Para o perverso, o inimigo,
faz padecer com o castigo,
iluminado, tão transpassado
pela luz do seu luar.
Será o fim? É diferente.
Uma lua, uma noite, tão envolvente
em um recíproco olhar
parece tudo acabar.
Com o fim, tudo pode reiniciar.
